SÃO PAULO - Uma sobrevivente do massacre na Universidade de Garissa, no Quênia, foi encontrada neste sábado (4), dois dias após o ataque de extremistas islâmicos que matou 148 pessoas.

Cynthia Charotich, 19, disse à agência Associated Press que se escondeu em um grande armário e se camuflou atrás de várias roupas.

Enquanto esteve escondida, Cynthia chegou a beber uma loção para aplacar a sede e a fome. Ela foi resgatada por volta das 10 horas deste sábado (4 horas em Brasília), de acordo com oficiais quenianos.

A aluna estava cansada e com muita sede, mas parecia estar em boas condições de saúde.

A princípio, Cynthia confundiu a equipe de resgate com os atiradores que atacaram a escola. Ela deixou o armário apenas quando uma de suas professoras chegou e a convenceu a sair.

"Eu fiquei apenas rezando para o meu Deus", disse a jovem, cristã, sobre o tempo que ficou escondida.

Durante o ataque à universidade, o grupo extremista islâmico Al Shabaab enganou os estudantes que se esconderam para convencê-los a sair de seus esconderijos. Os atiradores pouparam alunos muçulmanos e balearam cristãos.

Guerra longa e terrível

Al Shabab ameaçou neste sábado realizar mais ataques no Quênia se o governo não retirar todas as tropas que tem na Somália, segundo um comunicado divulgado pela organização terrorista.

Na nota, o Al Shabab adverte que a presença do Exército queniano na Somália, ao qual acusa de matar civis e bombardear cidades, acarretará mais represálias contra a população queniana, à qual responsabilizou por ter eleito o governo atual.

"Enquanto vosso governo persistir em seguir o caminho da opressão e continuar com a perseguição de muçulmanos inocentes, nossos ataques também continuarão", promete o comunicado. "O sangue correrá nas cidades do Quênia. Haverá uma guerra longa e terrível".

A polícia queniana deteve outros três homens envolvidos com o massacre na universidade quando eles tentavam fugir à Somália, informou neste sábado a imprensa local.

As autoridades acreditam que os três detidos, que se juntam a outros dois que já tinham sido presos, são cúmplices do suposto autor intelectual do massacre, Mohammed Kuno, que foi vinculado com outros ataques do grupo islamita no nordeste do Quênia.

Vinculada à Al Qaeda, o Al Shabaab fez vários ataques no Quênia em retaliação à ação militar de tropas quenianas na Somália. A facção luta para instaurar um califado na região e está na lista de organizações consideradas terroristas pelos EUA.