Quem investe em sorvetes e picolés não tem do que reclamar. [/TEXTO]Segundo a Associação Brasileira das Indústrias do Setor de Sorvetes (Abis), na última década o aumento do consumo do produto no país foi de 90,5%. Em 2015, em média, cada brasileiro consumiu 6,4 quilos de sorvete ao ano. Há 10 anos, esse número não passava de 3,8 quilos por pessoa.

“Nosso produto não enfrenta crise. Nos últimos quatro anos, a empresa cresceu cerca de seis vezes em faturamento. Quando começamos tínhamos cinco freezers e uma máquina. Hoje, em Minas, são mais de 200 lojas que revendem nosso produto em todo o estado”, conta Virgílio Gomes de Melo Lima, sócio-proprietário da Quero Mais, que comanda o negócio ao lado de três irmãos.

A primeira fábrica foi aberta há cerca de 10 anos no Espírito Santo. Mineiro, ele resolveu trazer o negócio de volta para o estado natal, que agora abriga também a segunda fábrica. O investimento veio no momento certo. Entre 2005 e 2015, o faturamento do setor de sorvetes no país teve um aumento de cerca de 30%.

Apesar das baixas nas vendas durante a estação mais fria do ano, Virgílio Lima aproveita o período para investir em novas lojas, novos sabores e produtos. São 42 tipos de picolés, 60 sabores de sorvetes, 6 sabores gourmet, além de açaí.

“Historicamente, temos uma queda de faturamento de 70% durante o inverno. É o período em que aproveitamos para dar férias a grande parte funcionários, testar novidades e criar novos produtos para o mercado. Para o próximo verão, vamos lançar uma linha nova. Para a temporada de alta nas vendas, entre os meses de setembro a março, esperamos um crescimento de 50% nas vendas”, relata Lima.

Perspectivas

Atualmente, segundo a Abis, o Brasil conta com 8 mil empresas ligadas à produção e comercialização de sorvetes. O setor gera 75 mil empregos diretos e 200 mil indiretos. Em 2015, o faturamento alcançou R$ 25,7 bilhões, o que representa alta de 11,7% frente a 2014.
“Cerca de 95% das vendas da Quero Mais são hoje para pessoas que têm lojas e comercializam nosso produto. Para 2017, esperamos ter a marca vendida no Rio de Janeiro e em Salvador”, diz o empresário.

Produtos gourmets entram no cardápio e são cada vez mais procurados pelos brasileiros

Não é novidade que o cardápio brasileiro está cada vez mais saudável e exigente em termos de sabor. De acordo com dados da empresa Mintel Group, especializada em pesquisas de mercado, até 2020 os segmentos gourmet e saudáveis de sorvetes deve atingir R$ 13,9 bilhões em valor e produzir 799 milhões de litros. O estudo aponta ainda que, mesmo em época de crise, os produtos gourmet ainda têm demanda crescente.

“Cada vez mais as pessoas exigem produtos diferenciados, saudáveis. Estamos investindo em produtos zero lactose e zero açúcar, com frutas naturais, além de diferentes sabores, fora dos tradicionais”, descreve Virgílio Lima, sócio-proprietário da Quero Mais. Ele conta que fez mudanças nos sorvetes e picolés para atender a um público mais preocupado com o bem-estar e com a saúde. “Nossa linha tradicional quase não tem açúcar e os picolés têm mais leite. A conscientização das pessoas mudou”, descreve.

Trabalho social

Ao lado dos irmãos, além da preocupação com a qualidade, Virgílio Lima é o responsável pelos empreendimentos da empresa no campo social. Os famosos vendedores nos carrinhos de picolés são ex-moradores de rua, pessoas de baixa renda e que, geralmente, não teriam oportunidades no mercado de trabalho do país.
“As pessoas vão até a fábrica e fazem cadastro. A partir daí, selecionamos, pedimos indicações e damos oportunidade. Temos carrinhos com a nossa marca circulando pelas cidades mineiras de Sete Lagoas, Santa Luzia e no Espírito Santo. São 100 carrinhos em Minas e cerca de 500 pelas praias capixabas”, esclarece Lima.

“As pessoas estão mais conscientes em relação à alimentação saudável. Nossos picolés de fruta, por exemplo, quase não têm açúcar”
Virgílio Lima
Sócio-proprietário