É inegável como o caos econômico mudou o mundo durante a crise de 2008 e 2009. Também é inegável como as start-ups que surgiram neste período mudaram a forma como o consumidor se relaciona com o mundo. Entre elas, Uber e AirBnB, conforme levantamento do economista e diretor da Timos – Investidora de Start-ups, Richard Rytenband. De acordo com ele, o cenário atravessado pelo Brasil em 2015 e 2016 é propício para o surgimento de novos e bem-sucedidos negócios.

O motivo é simples. Sabe a frase “carro apertado é que anda”?. É mais ou menos isso. Segundo Rytenband, durante os momentos de arrocho financeiro, as pessoas tendem a criar soluções mais assertivas para problemas cotidianos. Como resultado, as propostas tecnológicas que surgem nesses ambientes são fáceis de serem aplicadas e trazem resultados imediatos.

Agora, por exemplo, estamos em um momento em que as companhias querem e precisam cortar custos. Soluções deste tipo são bem-vindas, conforme comenta o executivo. Ele afirma que as crises são processos de ruptura necessários para “purificar o mercado”. “Todos os excessos cometidos pelas empresas, todos os exageros serão punidos. É uma espécie de seleção natural do mercado”, comenta.

Aplicação

O gerente da unidade de Inovação e Sustentabilidade do Serviço de Apoio às Micro e Pequenas Empresas de Minas Gerais (Sebrae-MG), Anízio Dutra Vianna, diz que as start-ups são mais aptas a despontar em cenários de recessão porque são mais voltadas ao mercado. “São empresas criadas para solucionar problemas. Nascem a partir de um propósito”, afirma.

Como exemplo, o gerente de Inovação cita o AirBnb, que faz a ponte entre quem quer alugar um espaço e visitantes.

Além de oferecer mais uma opção de acomodação a viajantes, muitas vezes mais baratas do que hospedagens comuns, o site garante uma renda extra para quem aluga a residência, o quarto ou, até mesmo, a cama ao lado. “Este cenário de crise promove a economia criativa”, diz.

“Para criar uma start-up, o melhor é pensar em um problema que você quer solucionar”
Anízio Vianna
Sebrae-MG

Ideia deve vir acompanhada de um plano de negócios

Apesar de Belo Horizonte ser considerada um dos berços brasileiros das start-ups, investir nesse modelo de negócio não é tão comum. Aliás, não era. Somente no ano passado, o Sebrae-MG prestou atendimento para 14 mil empresas, entre formalizadas e em processo de criação.

De acordo com o gerente da unidade de Inovação e Sustentabilidade da entidade, Anízio Dutra Vianna, embora elas demandem muita criatividade, planejamento é essencial.

Para orientar os interessados, o Sebrae-MG oferece uma gama de cursos e workshops. “Às vezes, a pessoa nem tem uma ideia, mas é interessante que ela comece a participar de eventos e palestras que estimulem a criatividade”, afirma. Nesta fase, o objetivo é pensar em soluções diferentes para problemas iguais.

Quando a ideia é concebida, é necessário criar um modelo de negócios. Se a pessoa tem a ideia, mas não é adepta a ferramentas tecnológicas, é necessário buscar parcerias para tirá-la do papel.

Na prática

Foi assim que o professor e empreendedor Leonardo Miranda conseguiu lançar, há um mês e meio, o SuasAulas. O app conecta professores de aula particular e alunos que precisem do serviço. Parece simples, e é. Mas resolve um problema de muitos pais. Em um mês, 400 pessoas já usam a ferramenta. Para transformar a ideia em aplicativo, Miranda participou de cursos do Sebrae-MG, onde firmou parceria com uma empresa de programação.

Há, ainda, a possibilidade de avaliar o professor. “Assim, o próximo que for contratá-lo sabe se ele é disponível, se é pontual, se atende às necessidades de ensino”, explica o empreendedor.