A Stellantis decidiu suspender temporariamente o segundo turno de sua unidade de Betim, na Região Metropolitana de Belo Horizonte (RMBH). A fábrica, de onde saem os modelos Fiat, concederá 10 dias de férias coletivas para a equipe a partir do dia 19, com retorno em 29 de abril.

Em nota, a Stellantis explica que a suspensão do segundo turno se dá pela falta de componentes, que tem tem afetado toda a cadeia automotiva. "A fim de adaptar o ritmo de produção às condições atuais de volume e regularidade de fornecimento de componentes, o Polo Automotivo Fiat, de Betim, MG, concederá férias por 10 dias a parte dos trabalhadores do segundo turno de produção, a partir de segunda-feira, 19 de abril, com retorno programado para o dia 29. A medida envolve cerca de 1,9 mil empregados. A empresa continua em contato e em negociação com seus fornecedores para normalizar os fluxos de suprimentos", fecha a nota.

A falta de componentes tem sido um problema da indústria desde o início da pandemia do Covid-19, em março passado. Em 2020, praticamente todas as fábricas suspenderam atividades para conter o avanço da doença. E, junto delas, fornecedores também precisaram paralisar suas atividades. 

O problema é que muitas dessas empresas que atendem às fábricas não tinham o mesmo lastro das montadoras, o que gerou quebras e um efeito dominó no abastecimento. Segundo o presidente do Sindipeças, Fábio Sacioto, muito se fala dos semicondutores, que sumiram no mundo todo, mas há outros insumos que também ainda não foram regularizados.

"No ano passado, as montadoras tiveram problemas com a falta de aço, assim como resinas plásticas e até mesmo papelão, para embalagem. Tudo isso forma os semicondutores, em que há uma disputa global por esses componentes, entre fabricantes de automóveis e indústrias de eletrônicos. Essa parada, no entanto, é uma maneira de ajustar a produção, com curta duração, bem diferente de algumas montadoras que tiveram que parar por completo", analisa Sacioto.

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