Apesar dos estragos econômicos da pandemia de Covid-19, Minas Gerais registrou saldo positivo na geração de empregos pelo quinto mês consecutivo em outubro, segundo dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), divulgados ontem. Foram 42.124 postos de trabalho a mais no Estado, em um cenário com 163.934 admissões e 121.810 demissões. Também foi a primeira vez em Minas, em 2020, que o acumulado do ano deu positivo (5 mil postos). </CW>

BH seguiu a tendência, com 9.318 postos a mais no último mês (36.383 admissões e 27.065 demissões). 

Voltando ao Estado, a maioria das novas vagas foi criada por Micro e Pequenas Empresas (MPEs). Segundo o Sebrae Minas, seis a cada dez empregos criados são relacionados a esses segmentos. Conforme o Caged, a alta em outubro, em Minas, foi puxada pelo setor de serviços, que abriu 17.013 vagas. Em seguida, vieram a indústria (10.619); o comércio (10.282); e construção civil (5.909). O único setor que desempregou mais do que empregou no Estado foi a agropecuária (1.699 postos a menos).

Força dos pequenos
Levantamento realizado pelo Sebrae Minas, tendo como base o Caged de setembro, mostra que das 36 mil vagas formais criadas no Estado naquele mês, 62,8% (22.937) foram obra de MPEs. As micro e pequenas industriais abriram 6.600 postos, seguidas pelo comércio (6.300), serviços (6 mil) e construção civil (4.360). 

Pequenos comerciantes da capital, como Sheila Mairink, confirmam a retomada de contratações e a abertura de novos postos. Gerente de uma rede de lojas de roupas íntimas, ela lembra que, no auge da pandemia, chegou a fechar um dos três pontos de venda. Nos últimos meses, contudo, a loja foi reaberta e a empresa aumentou em 20% o número de funcionários. “É o momento de voltar a crescer, de investir na retomada. Já estamos com o estoque reforçado para as festas do fim de ano e prontos para conseguir faturar um pouco mais agora”, diz ela.

Balanço
Outro dado que, embora de maneira tímida, comprova a tendência de retomada econômica é o do número de pequenos negócios abertos em setembro em Minas, em comparação com o mesmo período de 2019. Segundo o Sebrae, houve um acréscimo de 1,31% - 291.545 novos CNPJs em 2020. Já o volume de fechamentos de empresas caiu 44% no período.

 

Analista recomenda cautela e preparo a MPEs antes de crescer

A maior geração de novos empregos pelas (MPEs é um fenômeno previsível em economias que iniciam a retomada após graves retrações, como ocorreu este ano no Brasil. 

Segundo a analista do Sebrae-Minas Gabriela Martinez, essas empresas têm poder de reação mais rápida, tanto às crises quanto a momentos de euforia. “O pequeno empresário precisa ser mais agressivo, porque muitas das vezes contratar ou demitir, significa ganhar o fôlego necessário para sobreviver ou acompanhar o crescimento”, destaca.

Para ela, a puxada de empregos pelas MPEs era aguardada entre os pequenos negócios, sobretudo de setores como o de comércio e serviços, os mais prejudicados durante a crise sanitária e econômica. 

Gabriela Martinez afirma, contudo, que os pequenos e microempresários precisam ter cautela e entender bem o mercado antes de buscar expansões, por exemplo, no número de funcionários. “Criar um novo posto para esse tipo de empresa significa aumento nos gastos. E só é prudente tal movimento se o mercado mostrar que junto virá um acréscimo de receita que gere lucro”, enfatiza.

Para conseguir se manter firme e crescer, a analista do Sebrae afirma que os micro e pequenos precisam de planejamento e preparo. “É preciso mais do que boa vontade, é preciso estar preparado. Saber gerenciar o fluxo de caixa, ter capital de giro e uma reserva de capital para os momentos de crise. Para crescer é necessário estar com os pés bem firmes no chão”, ressalta ela.