A grande maioria dos automóveis deve ser testada seguindo uma lista de parâ-metros para informar ao leitor quais são os melhores atributos e o que deixa a desejar, como no caso do Honda Civic. Outros devem ser avaliados com um viés passional, caso da versão Si do médio japonês. 

Não me pergunte sobre a capacidade do porta-malas, se o acesso ao banco traseiro é bom ou ruim, se é barulhento, bom de baliza e muito menos se os porta-objetos são funcionais. O que posso registrar aqui é que o cupê japonês é um automóvel abissal, furioso como os lutadores da série japonesa “Dragon Ball”, que faz sucesso nos desenhos e videogames.

Na estrada
Levamos o Si para serpentear na estrada, com curvas fechadas, onde ele mostra seu Kamehameha. Aos não iniciados na saga japonesa, corresponde ao golpe fatal.

A nova geração do Si evoluiu muito e um dos responsáveis é o motor turbo 1.5 (o mesmo do Civic Touring), mas modificado para entregar 208 cv e 26,5 mkgf de torque. Apesar do “soprador”, o pico de potência aparece com giro alto: 5.700 rpm, para ser mais preciso. Por outro lado, todo torque está disponível a modestos 2.100 giros.

Para chegar a essa potência, os engenheiros da Honda aumentaram a pressão do turbo para 1.4 Bar, assim como a taxa de compressão das câmaras, com uso de pistões de superfície mais alta. 

A transmissão é manual de seis marchas, o que também lembra um videogame. No caso, aquelas máquinas de “Daytona USA”, devido a engates curtinhos em que o motorista só mexe a munheca.

A suspensão também foi revisada, com buchas e coxins mais firmes, assim como a adoção de barra estabilizadora e amortecedores com ajuste de carga eletrônico, em que um solenoide regula o fluxo do óleo.

Diferenciais são o deslizamento limitado e a vetorização de torque, que fazem com que ele tenha comportamento exemplar nas curvas. Isso sem falar dos freios com discos ventilados de 31,2 cm de diâmetro. 

Completa o pacote a função Sport, que altera os parâmetros do acelerador, direção e suspensão e que justificam a necessidade de bancos com laterais largas para manter o motorista no lugar.

Habitat
Comprar um Honda Civic Si para ser o automóvel de uso diário não é proibido, mas não é o indicado. O cupê japonês está longe de ser um carro funcional. Duas portas, suspensão rebaixada e firme, escapamento ruidoso são alguns elementos que podem incomodar principalmente quem enfrenta congestionamentos todos os dias.

Por outro lado, o cupê é o carro para quem gosta de acelerar vez ou outra. Longe de ser um esportivo cosmético, a versão oferece desempenho fascinante, ainda mais para um carro de motor compacto e preço abaixo dos R$ 200 mil, como os esportivos alemães. Para ser preciso, o Civic Si é oferecido por R$ 162.900.

Ele não tem caixa automática nem bancos em couro. A caixa é manual curtinha. O encosto tem laterais largas e o assento baixo permite a perfeita posição ao volante. 

Nada é figurativo. Colocamos o Si numa subida de ladeira sinuosa onde ele não titubeou em momento algum. 

No modo Sport, o comportamento é ainda mais agressivo. A eletrônica se faz presente como a vetorização de torque, que praticamente cria um trilho imaginário na pista e faz até os menos hábeis se sentirem ases no volante. É um carro fantástico como os heróis japoneses que lutam pelas Esferas do Dragão!