A crise econômica que o Brasil enfrenta poderá, agora, afetar as pesquisas sobre zika, mal de Alzheimer e pré-sal. O supercomputador Santos Dumont, o maior da América Latina, deverá ser desligado ainda neste mês devido à falta de dinheiro para pagamento das contas de luz do Laboratório Nacional de Computação Científica (LNCC), em Petrópolis, na Região Serrana do Rio.

O equipamento de R$ 60 milhões tem um custo mensal de energia de R$ 500 mil, que representa cerca de 80% dos recursos do laboratório. O aparelho, que ocupa apenas 380 metros quadrados, consome o equivalente a um bairro com três mil famílias.

Sonho antigo da comunidade científica brasileira, o supercomputador é até um milhão de vezes mais rápido do que um notebook comum e é capaz de realizar até 1.015 operações matemáticas por segundo. Com o desligamento, seis pesquisas estão atrasadas e outras 75 ainda não foram iniciadas.

Entre os prejuízos da paralização do equipamento está o avanço das pesquisas de mapeamento genético do vírus zika, que precisará ser interrompido. No entanto, uma das poucas tarefas concluídas pelo supercomputador, o aparelho levou apenas três dias para identificar cadeias de proteínas que podem ser usadas em tratamentos contra o Mal de Alzheimer - o que pesquisas semelhantes, feitas em laboratórios comuns há mais de três anos, não conseguiram.   

O diretor do LNCC, Augusto Gadelha, explicou que, além disso, desligar o supercomputador pode ser ruim também para o equipamento, já que a parte eletrônica não pode ficar parada.

"Como qualquer aparelho, a recomendação é de que ele esteja sempre em funcionamento, com sistema de óleo e refrigeração adequados. Caso contrário, o desgaste é sempre maior", disse.