Depois de atravessar a crise econômica praticamente ileso, o setor supermercadista projeta crescer 4% em 2019, na comparação com o ano anterior. As estimativas otimistas refletem diretamente na geração de postos de trabalho. Se tudo der certo, 70 novas lojas serão abertas no Estado este ano, gerando 7,3 mil vagas, segundo pesquisa da Associação Mineira de Supermercado (Amis). 

O desafio para o segmento, no entanto, é manter os funcionários, que trabalham aos finais de semana e costumam receber salários de entrada no mercado, em decorrência da baixa necessidade de qualificação exigida.

“O segmento é um grande gerador de primeiro emprego. Ou seja, grande parte dos colaboradores tem nos supermercados a sua primeira oportunidade de emprego formal de sua carreira profissional. Por isso, é muito difícil encontrar profissionais qualificados”, afirma o Superintendente da Amis, Antônio Claret Nametala. 

Aos 20 anos, o embalador Douglas Fernandes Pereira comemora o primeiro emprego formal no supermercado Verdemar.Ele, que morou no interior a vida inteira, foi contratado neste ano, contribuindo para as projeções da Amis. “Eu trabalhava quando conseguia na minha cidade, mas não era sempre. É muito bom ter carteira assinada e já almejo outros cargos aqui dentro”, diz o empregado.

De acordo com o superintendente Comercial e de Marketing do Verdemar, Antonio Celso Azevedo, a possibilidade de melhorar de cargo dentro da própria empresa é uma das estratégias utilizadas para reduzir a rotatividade do segmento. “Temos exemplos de funcionários que entraram como embaladores e hoje são gerentes de lojas”, diz. Além disso, ele afirma que a empresa realiza cursos de qualificação e treinamentos de reciclagem, para atualizar os conhecimentos.

Para 2019, o supermercado pretende inaugurar uma loja e, com isso, criará 300 novos empregos. Hoje, a rede de 14 lojas é responsável pela criação de mais de 4 mil postos, conforme o superintendente. 

Com 50 operações em Minas, o grupo Super Nosso (responsável pelas marcas Super Nosso, Apoio, Super Nosso Goumet, Super Nosso em Casa e Apoio Entrega) pretende abrir duas novas lojas e criar 300 vagas. Os treinamentos e a estipulação de metas também são citadas pelo diretor comercial, Rodolfo Nejem, como atrativos para que os empregados fiquem no supermercado. 

"Mantemos um ambiente agradável para o trabalho e realizamos treinamentos periódicos para reduzir o turn over. Entre as metas que criamos, uma é a satisfação do cliente”, diz Nejem. 

O coordenador de Economia do Ibmec, Márcio Salvato, explica que as redes continuam crescendo em meio à crise porque fazem um meticuloso estudo de estoque, alinhado ao cenário econômico. “Em meio à crise, as pessoas deixam de comprar cafés especiais, por exemplo, mas não deixam de comprar café. Nesse sentido, os supermercados mudam o mix e continuam vendendo”, explica.

Ele comenta, ainda, que a alta rotatividade do segmento é fruto da carga horária, que engloba sábados e domingos, e do salário de entrada. 

“Várias dessas pessoas estão entrando no mercado de trabalho. Então, é esperado que elas recebam menos. E quando aparece uma oportunidade, elas costumam mudar de emprego, aumentando o turn over”, pondera. 

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