O consumidor já decidiu que quer produtos saudáveis, sem agrotóxicos, frescos e politicamente corretos. Atentos a esse público exigente por mais saúde e sustentabilidade, os supermercadistas decidiram dar mais espaços nas gôndolas a esses produtos. Prova disso é a participação do produtor rural na Superminas 2015, o maior e mais completo evento do varejo alimentício nacional, que começou ontem e será encerrado amanhã, no Expominas, em Belo Horizonte.

Com presença tímida no evento do ano passado, este ano eles são presença maior na Superminas. Por meio do estande do Senar Minas (Sistema Faemg), oito produtores de derivados do leite de vaca e de cabra, cachaça, doces, mel, frutas vermelhas, defumados suínos e jabuticaba estão tendo a oportunidade de apresentar seus produtos e ainda fazer bons negócios.

Eles vieram de várias cidades e ocupam uma área de 72 m2 no Pavilhão 1. “O setor de feira  da Superminas é segmentado em ‘espaços’. Voltado para o produtor rural tem o Espaço de Frutas Legumes e Verduras (FLV); o da Cachaça; das Flores; além do espaço de produtos orgânicos e funcionais, que não é exclusivamente para o produtor rural, mas o abriga também”, explicou Alexandre Poni, presidente da Associação Mineira de Supermercados (Amis), que, juntamente com o Sindicato e Associação Mineira da Indústria da Panificação (Amipão), realizam o evento.

O Senar Minas participa pela primeira vez da Superminas. “A participação na feira abre a oportunidade para o pequeno produtor negociar sua produção com novos mercados, com clientes diferenciados, que queiram um produto com valor agregado em termos de qualidade, aparência, embalagem e afins”, afirmou o coordenador de Formação Profissional Rural (FPR) do Senar Minas, Luiz Ronilson Araújo Paiva.

Variedades

Da Fazenda Mourões, localizada em Felixlândia, foram trazidos os produtos Flor das Gerais. Os proprietários de uma área de 100 hectares, que garante toda a produção, são Adão Manoel e Maria Lúcia Duarte de Oliveira, que antes da feira trabalharam pesado para trazer tudo para a Superminas. São 200 garrafas de cachaça, 50 de licores, 60 potes de doces em compota, 60 de geleias de frutas e 50 de tomate seco em azeite e ervas.

“Com exceção da cachaça, não temos estoque dos produtos, que foram produzidos poucos dias antes da feira”, explicou Adão Manoel, que quer aproveitar a Superminas para trocar experiência com outros produtores e fazer bons negócios.

“Sempre fizemos bons produtos na fazenda, mas a venda e a divulgação se limitavam às pessoas conhecidas e próximas de nós. A participação em feiras vem mudando isso aos poucos. Uma feira do porte da Superminas reforça a importância que os pequenos produtores têm na produção de alimentos e nos coloca diante de uma grande oportunidade, que é apresentar nossos produtos a compradores maiores, como os supermercados, que poderão levar nossa produção a um número maior de pessoas”.

Luiz Carlos e Lúcia Helena de Oliveira, que produzem derivados do leite de cabra, são proprietários da Capril Santa Fé, localizada numa área de 2,4 mil m2, em Barbacena. Também já experientes por terem participado de outras feiras, eles anteciparam a produção para garantir na Superminas 50 quilos de quatro tipos de queijos - frescal, boursin ao azeite e em pasta, e o camponês - e  300 unidades de iogurtes nos sabores coco, pêssego e morango.

Boa mesmo é a venda sem intermediários

As delícias e a qualidade das frutas vermelhas oferecidas por Luiz Antônio e Rosana Ribeiro do Lago já são conhecidas por muitos, pois sabendo da importância, os dois produtores não deixam de participar das feiras. É no sítio Juranda, em Campestre, no sul de Minas, numa área de 6 hectares, que garantem toda a produção de amora, framboesa e mirtilo. Eles trouxeram para a Superminas 200 quilos de frutas congeladas, mas garantem ter “toneladas” para serem entregues após a feira.

“Fazia tempo que sonhávamos em participar desta feira. Isso se concretizou e temos a melhor expectativa possível”, disse Luiz Lago. Para ele, o mais importante é que a Superminas permite a venda sem intermediários“ Assim, todos saem ganhando”, acredita.

Para Izabela de Moura Viana, da indústria de Doces Sertanejo, em Curvelo, “Por meio do Senar, a Superminas abriu as portas para os produtores rurais apresentarem e comercializarem seus produtos na capital”. Ela trouxe para Belo Horizonte praticamente todos os tipos de doces que produz: cocadas branca e morena, doce de pequi, goiabada cascão redonda e em barra, pé de moleque, doce de leite puro e de leite com coco, beijo de moça, doces de banana, de goiaba e de amendoim, banana zero açúcar e goiabada diet.

Defumados

Lucia Helena Coelho tem uma pequena fábrica de linguiça e defumados artesanais em Amparo do Serra, na Zona da Mata mineira. “Tenho uma cozinha e o defumador, tudo dentro dos padrões estabelecidos pelo Senar”, garantiu.

A Jirau Defumados faz linguiça pura de lombo e pernil suíno, sem conservantes ou qualquer aditivo químico. São essas delícias que ela trouxe para a Superminas.

Já a produção de mel, própolis e derivados da Ecomel Natural, de Cátia Cristina Espósito, está localizada no distrito de Honório Bicalho, em Nova Lima. A área de cerca de 10 mil m2, bem como seu entorno, é nativa, com predomínio de Mata Atlântica.

“Aqui o produtor fica feliz, vê que sua produção pode ter mais saída. É a certeza que vai poder produzir mais e ter vendas mais constantes”, disse Cátia Espósito.

Maria Aparecida Peres de Oliveira, mais conhecida como Cida Peres, tem esperanças que sua participação na Superminas possa resultar na ampliação das vendas. “Trouxemos para a feira produtos inovadores. São geleias com polpa, mais fibras e menos açúcar; geleias condimentadas com ervas e adoçadas com rapadura; geleias com pimenta, entre outros”, disse a produtora.

Espaço para agricultores familiares

Outro espaço destinado ao produtor rural na Superminas foi garantido pela Secretaria de Desenvolvimento Agrário (Seda), por meio da Superintendência de Acesso a Mercados e Comercialização (Sumec). O secretário de Desenvolvimento Agrário, Glênio Martins, por onde passa tem destacado o crescimento da participação no mercado supermercadista de produtos orgânicos e agroecológicos. Segundo ele, enquanto o país atravessa uma crise econômica, o mercado de produtos orgânicos cresce cerca de 40% ao ano.

Num estande de 21 m2, a Seda reuniu cooperativas de café, de farinha de mandioca, mel, castanha de baru, queijo artesanal, entre outras. Durante a Superminas estão sendo criadas pequenas rodadas de negócios para estreitar e/ou aproximar as relações comerciais entre as redes supermercadistas e os agricultores familiares.