Suspeito de ameaçar vereadores de Belo Horizonte com o objetivo de evitar a cassação do mandato de Wellington Magalhães (Democracia Cristã), investigado por quebra de decoro parlamentar, Wellington Luiz da Conceição negou que já tenha prestado serviço ao parlamentar-xará em depoimento, ontem, à comissão processante que apura as denúncias contra o ex-presidente da Câmara Municipal.

Conceição depôs na condição de testemunha, arrolada pelo vereador Mateus Simões (Novo), autor da denúncia contra o ex-presidente do Legislativo. Magalhães usa tornozeleira eletrônica após ter sido preso pela Polícia Civil suspeito de participar do desvio em contratos que somam cerca de R$ 30 milhões entre a iniciativa privada e a Casa – ele nega as acusações. 

O parlamentar do Novo questionou o depoente sobre qual a relação mantida com Magalhães. “Relação eu tenho é com minha esposa, com meus filhos. Conheço o vereador (Magalhães), como conheço 70% da Câmara Municipal”, respondeu Conceição, acrescentando que frequenta o Legislativo desde 1992.

Engajado em movimentos de vilas e favelas, o depoente sustentou que os contatos que manteve com Magalhães foram “estritamente para tratar de assuntos ligados a partidos políticos”. 

Conceição foi candidato a deputado, no ano passado, em dobradinha com a irmã de Magalhães, Arlete.

Na reunião de ontem, ele negou que tenha ameaçado o vereador Gabriel Azevedo (sem partido), mas confirmou uma desavença. Segundo ele, quando pré-candidato, o parlamentar teria feito um vídeo, durante uma sessão na Câmara, e o depoente pediu que não fosse filmado. O motivo, segundo Conceição, é que ele próprio poderia ser candidato à eleição e não gostaria de aparecer na rede social de um eventual adversário no pleito.

Conceição confirmou ainda que conhece a outra testemunha arrolada por Mateus Simões que, assim como o depoente, é suspeita de ameaçar parlamentares para beneficiar Magalhães. 

Segundo Conceição, trata-se de um vizinho. Ele deveria ter prestado depoimento na última sexta-feira, mas não compareceu.

Outro assunto questionado a Conceição foi o fato de ele aparecer em vídeos feitos em reuniões da primeira comissão processante que investigou Magalhães por suspeita do desvio nos contratos de R$ 30 milhões. Magalhães não foi cassado à época: 23 vereadores votaram pela perda do mandato, cinco a menos que necessário. Outros 15 se abstiveram.

Ontem, ao ser questionado sobre sua presença nas audiências do ano passado, Conceição afirmou que as reuniões são públicas e que deseja “ficar sempre bem informado sobre o que ocorre no Legislativo e na cidade”.

A comissão processante ainda ouvirá outras testemunhas antes de emitir parecer pela cassação, ou não, de Wellington Magalhães. O prazo termina em dezembro.