A telefonia celular liderou o ranking de reclamações no ano passado em Minas Gerais. De acordo com dados do Sistema Nacional de Informações de Defesa do Consumidor (Sindec), divulgados pelo Ministério Público de Minas Gerais (MPMG), o volume de queixas nesse segmento alcançou 34.013 em 2018, o que representou 17% do volume total desse tipo de atendimento em todos os Procons mineiros. 

Depois de passar muita raiva e ter até o nome inscrito na lista de maus pagadores, a aposentada Juracy Alcântara resolveu colocar a boca no trombone e procurar ajuda. “Meu telefone passava mais tempo sem funcionar do que funcionando por conta do sinal ruim. Mas nem por isso as contas deixavam de vir. E uma mais cara do que a outra. Além disso, o preço que foi acertado quando contratei o plano só veio exatamente igual nos primeiros meses de contrato”, disse. 

Segundo Juracy, o contrato estabelecia o valor mensal de R$ 150, com direito a ligações e internet. Mas os boletos chegavam acima de R$ 230. “Me senti lesada e me recusei a pagar. Mas injustamente a operadora colocou meu nome no SPC”, lamentou. 

Ainda de acordo com dados do Sindec, o segundo lugar no ranking de queixas ficou com a telefonia fixa, com 22.888 casos (11,4%), seguida por cartão de crédito, com 16.076 ocorrências (8%).

O levantamento mostra ainda um grande volume de reclamações em relação a bancos comerciais (14.028), contratos financeiros diversos (13.252), TV por assinatura (10.582), aparelho celular (7.485), financeiras (7.366), além de seguros – com exceção dos de saúde –, com 5.463 e internet (serviços e produtos), com 4.989.

O coordenador-geral do Procon Assembleia, Marcelo Barbosa, afirma que a base de clientes dessas empresas é muito grande e, portanto, era de se esperar que o setor de telecomunicações continuasse entre os mais reclamados. No entanto, ele ressalta que os problemas apresentados pelos clientes são sempre os mesmos, indicando que as companhias investem pouco na melhoria do negócio. 

“Não tem punição severa e, por isso, as empresas fazem vista grossa para os próprios problemas. Acaba que fica até vantajoso para elas. O Judiciário tinha que atuar com mãos de ferro, intensificando as multas e as penalidades”, afirma. Ele destaca que o consumidor também deve fazer a sua parte. “Além de reclamar na operadora, ele tem que ligar na Anatel pelo número 1331 e registrar o problema. E, depois, mudar de operadora”, sugere.

Problemas
O estudo do Sindec aponta ainda que entre os principais problemas apresentados pelos consumidores estão a cobrança indevida (58.009 casos), seguida por queixas contra SAC por ausência de resposta, excesso de prazo e não suspensão imediata da cobrança (11.745), vícios do produto (11.657) e rescisão ou alteração unilateral de contratos (10.683). Já o não cumprimento, alteração, transferência, irregularidades e rescisão de contratos ficou em 5º lugar no ranking, com 9.679 reclamações.