No segundo semestre de 2013, a Sony chamou a imprensa para apresentar seus revolucionários televisores com resolução 4K, ou UHD (Ultra High Definition). Para demonstrar o potencial daqueles aparelhos, rodava um VT da final do Mundial de Clubes da Fifa, de 2012, quando o Corinthians derrotou o Chelsea por 1 a 0. A ideia era despertar o interesse do consumidor para adquirir aparelhos com esse potencial de imagem para a Copa de 2014.

Mas o que chamava atenção era que num mercado em que o máximo que a TV aberta alcançava (e ainda alcança) é uma resolução de 720p (HD), pensar em UHD poderia ser presunçoso demais. Mas acabou que deu certo. E elas se tornaram quase que padrão, mesmo que novela e futebol sigam em HD. Tudo bem que as transmissões de jogos em 4K só ocorreram na Copa da Rússia, via streaming. Agora a Samsung quer seguir a mesma estratégia com os surpreendentes aparelhos com resolução 8K, a chamada Full Ultra High Definition (FUHD), ou apenas Full UHD. 

Segundo o gerente de Produtos de TV da Samsung Brasil, Guilherme Campos, os aparelhos 8K dominaram a feira de tecnologia CES, que ocorreu em janeiro, na cidade de Las Vegas. Elas começarão a ser vendidas por aqui nos próximos meses. "Vamos lançar ainda neste semestre o modelo Q900, que foi nosso destaque em Las Vegas", explica o gerente, que ainda não tem os preços definidos. No Reino Unido, o modelo parte de 5 mil libras, algo próximo dos R$ 24 mil.

Mas como convencer o consumidor a comprar uma TV 8K, sendo que os conteúdos mais sofisticados disponíveis atualmente são em 4K? Para Campos, o diferencial será o conceito de imagem, recorrendo a processos de ampliação da resolução que são presentes nos aparelhos UHD atuais, o chamado upscale.

"A TV 4K já faz upscale do Full HD. Nos televisores 8K isso é feito com mais efetividade. O processador do aparelho tem cerca de 8 milhões de imagens arquivadas em várias categorias, com referencias de baixa e alta resolução. Ele é capaz de consultar seu banco dados e encaixar os pixels para completar a qualidade de imagem e oferecer o máximo de resolução", explica.

Telona
Com o aumento da qualidade de imagem, a indústria tem redimensionado o tamanho dos televisores, que terão telas cada vez maiores, seguindo uma demanda por aparelhos acima de 65 polegadas. No entanto, o gerente garante que não é necessário ambientes grandes para acomoda-las.

"Com uma TV 4K de 65 polegadas o usuário pode ficar mais próxima da TV, sem perder qualidade de imagem, do que num televisor Full HD. Com uma 8K, é possível ficar ainda mais próximo sem desconforto. Além disso, a TV 8K viabiliza uma tela maior e com mais imersão. Isso gera o efeito de cinema. Já temos opções de 82 a até 98 polegadas", aponta Campos.

Show Business
Atualmente a indústria do entretenimento tem se desdobrado para produzir filmes e seriados em 4K, assim como a setor de de games já oferece placas gráficas e consoles para rodar games em UHD. No entanto, 8K ainda é uma ficção, mas a sul-coreana acredita que o primeiro passo já foi dado: ter o dispositivo para exibir os conteúdos Full UHD.

"Há seis anos, quando os aparelhos 4K estrearam, o salto do Full HD para o UHD foi muito complexo. Havia uma grande dificuldade de armazenamento de dados. Conteúdos em 4K são pesados e os 8K são ainda mais, mas nosso foco é que o 8K acabará estimulando outras partes envolvidas, como a indústria de cinema e TV. Isso irá movimentar a cadeia industrial" analisa.

Segundo o executivo da Samsung, os serviços de streaming serão os primeiros distribuidores em formato Full UHD. "Ainda há pouco conteúdo disponível, tudo acontecendo agora. Mas acontece que o televisor pode ampliar seu banco de imagens. O parceiro irá disponibilizar seu conteúdo na nuvem e a TV é capaz decodificar o conteúdo e encontrar as imagens de upscale na web", explica.

Já na seara de games, as respostas são mais lentas. "Tivemos conversas com algumas empresas de games, mas não temos uma posição firme sobre em que estágio a indústria de games está migrando para o 8K. Mas é certo que em termos de evolução nos próximos cinco seis anos o 8K será uma resolução predominante e que atenderá a indústria", afirma.

Afinal, em 2022 tem copa outra vez!