A novela do fogo amigo entre aliados do prefeito Alexandre Kalil (PHS), envolvendo nomeações de cargos na Prefeitura e a liderança do governo na Câmara, tem se tornado um empecilho para que a prefeitura consiga apresentar e aprovar a tão falada reforma administrativa do município.

A apresentação da reforma, que altera a organização de secretarias e autarquias e elimina cargos da administração municipal, dentre outros pontos, vem sendo continuamente adiada pela Prefeitura para a apreciação da Câmara. Em princípio, previa-se que ela seria entregue na abertura do ano legislativo, no dia 1º de fevereiro.

A justificativa para a demora é a de que o texto, inicialmente previsto para ser dividido em duas partes, uma sobre o funcionalismo celetista e outro sobre os estatutários, foi aglutinado em um, o que tem exigido mais tempo para o arremate. Além desse atraso, quando o texto for apresentado aos vereadores, as negociações para sua aprovação empurrarão a apreciação em plenário para, no mínimo, o final da primeira quinzena de março, segundo vereadores mais experientes.

“Apesar das críticas que faço à demora da apresentação do plano, eu também, se fosse o prefeito, não apresentaria a proposta neste momento turbulento”, avalia o vereador Mateus Simões (Novo).

O problema, como pontuam os próprios vereadores, é que o próprio corpo técnico da Prefeitura acaba sendo afetado. Houve desligamento de pessoal em algumas áreas que aguardam a aprovação da reforma para recomposição.

“É preciso acalmar os ânimos. O ano já começou e os problemas estão aí para serem resolvidos. Principalmente a reforma administrativa. Ela tem que ser uma unanimidade, um consenso na Casa. É algo fundamental para a cidade e não pode ficar emperrada”, afirma o vice-presidente da Câmara, Orlei Pereira (PTdoB).

Cuidado
A cautela do governo se deve ao temor de ver o texto derrotado – ainda que Kalil tenha posto panos quentes no fogo amigo, ao reunir aliados durante a semana, o que foi bem recebido na Casa. Na última sexta-feira alguns vereadores afirmavam que o texto poderá ser lido de forma positiva ou negativa, caso as nomeações conduzidas pelo secretário de governo e vice prefeito Paulo Lamac (Rede) não sejam revistas.

Na sexta-feira, chegou a circular a informação de que Lamac seria substituído na articulação política pela secretária de Assuntos Institucionais e Comunicação, Adriana Branco. A informação, no entanto, foi desmentida pela assessoria de imprensa da prefeitura.