A possibilidade de sair de casa em segurança, com a garantia de não infectar ninguém nem novamente ser contaminado pela Covid-19, é uma grande esperança de quem já foi acometido pela doença e do mundo que sonha com o fim da pandemia. O assunto, bastante pesquisado e analisado pela comunidade científica, voltou à tona após a cantora Madonna, de 61 anos, ter declarado que está comprovadamente imune à doença. Mas isso é realmente possível?

Em um vídeo publicado no Instagram, a artista afirmou que passou por um exame rápido que, segundo ela, detectou a presença de anticorpos no organismo, capazes de liberá-la para um passeio pela cidade. "Então, amanhã vou apenas dar uma volta longa de carro, vou abrir a janela e respirar, vou respirar no ar de Covid-19. Espero que o sol esteja brilhando", disse.

 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 

#staysafe #staysane

Uma publicação compartilhada por Madonna (@madonna) em

A teoria é compartilhada pelo médico infectologista Estevão Urbano, presidente da Sociedade Mineira de Infectologia e membro do Comitê de Enfrentamento à Epidemia da Covid-19. De acordo com o especialista, o paciente que se contamina pelo novo coronavírus torna-se imune à doença, sendo incapaz de se reinfectar ou de contagiar outras pessoas, mas por um tempo limitado.

"Quando a pessoa tem a sorologia positiva, [o exame] sugere que ela tenha tido a doença, mesmo que tenha sido assintomática, desenvolvido anticorpos e ficado imune, o que significa que ela não pega nem transmite, pelo menos por um tempo. Não se sabe ainda por quanto tempo, podem ser semanas, meses, anos, ou décadas", disse.

Porém, em publicação no último dia 25, a Organização Mundial da Saúde (OMS) informou que ainda "não há evidências" de que pessoas que se curaram da Covid-19 e, portanto, com anticorpos para a doença, estejam realmente protegidas de uma segunda infecção pelo novo coronavírus.

Testes PCR x Sorologia

Madonna não citou o tipo de exame a que se submeteu. O que se sabe, porém, é que existem dois tipos de testes para a descoberta da Covid-19 na atualidade: o PCR e o exame de Sorologia, também conhecido como teste rápido.

O primeiro método trabalha na identificação do material genético do vírus a partir da coleta de amostra de secreção nasal e da garganta do paciente. O resultado fica pronto em até 24 horas e custa, em média, R$ 320. Já o teste rápido é feito com o sangue da possível vítima e tem diagnóstico em até 30 minutos. O custo é de R$ 180, em média.

De acordo com o médico hematologista e patologista clínico Daniel Dias Ribeiro, ambos exames são seguros e a escolha pelo método deverá ser feito de acordo com o quadro clínico do paciente, sendo que o PCR tem resultado mais preciso quando a pessoa faz o teste logo que começa a ter os sintomas da doença, como febre, tosse e dor de garganta; enquanto o teste rápido é indicado a partir do 14º dia de sintomas da Covid-19.

"O exame de Sorologia (teste rápido) mede a quantidade de dois anticorpos (o IgG e o IgM) que o organismo produz quando entra em contato com o vírus. Os dois só são produzidos em fases adiantadas da infecção. Só é possível saber se a pessoa tem ou teve o coronavírus se ela tem uma quantidade expressiva dos anticorpos no sangue", explicou o especialista, que é diretor do Laboratório São Paulo.

O teste rápido tem sido, portanto, mais procurado pelas pessoas pelo preço menor e pela facilidade, já que o exame PCR exige, segundo Daniel Ribeiro, que o laboratório seja especializado e tenha equipamento complexo, com equipe capacitada em biologia molecular.

Atenção às marcas

O infectologista Estevão Urbano relembrou que, como todo exame clínico, independentemente da doença, o 100% nunca existe. No entanto, o consumidor que decidir pela testagem deve buscar, se possível, por testes produzidos por marcas reconhecidas pela Sociedade Brasileira de Patologia Clínica e Medicina Laboratorial.

​"Tem marcas que dão resultados muito ruins, com muitos falsos negativos. Mas há outras que estão bem melhores e confiáveis. Muitas marcas foram jogadas ao mercado de forma inescrupulosa", afirma.

Engrossando o coro, o secretário de Estado de Saúde de Minas Gerais, Carlos Eduardo Amaral, afirmou, nessa segunda-feira (4), que o teste PCR tem 60% de confiabilidade, o que significa 40% de possibilidade de detectar um resultado falso negativo. Sem citar a porcentagem de confiança do teste rápido, Amaral afirmou que "não existe, neste momento, exame 100% preciso para Covid-19".

Além dos hospitais e laboratórios, os testes rápidos para a detecção da enfermidade causada pelo novo coronavírus também podem ser feitos em farmácias brasileiras desde terça-feira passada (28), após uma decisão da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Segundo a agência, os estabelecimentos que decidirem comercializar o exame deverão ter profissional qualificado para realizá-lo.

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