A Fiat tem uma estratégia de negócio que se baseia num amplo portfólio de opcionais para tornar os preços de entrada de seus produtos mais agressivos. Quem quiser conteúdo, que pague a mais por eles. De certa forma, esse modelo de vendas pode até ser democrático, vez que o consumidor tem a liberdade de escolher o equipamento que quiser em seu carro e não pagar por itens que não irá usar. 

Testamos a linha 2020 do Argo Drive 1.0, segunda opção no portfólio do hatch italiano, que permite configurar uma série de equipamentos, muitos que até pouco tempo eram exclusivos de versões mais sofisticadas. O carrinho parte dos R$ 53.490, mas pode esbarrar nos R$ 63 mil, se receber todos itens.

 

Telona
O principal destaque é o módulo multimídia de nove polegadas, que roda sistema Android, em um tablet. O equipamento vendido por R$ 2.300 é cerca de R$ 700 mais barato que a central Uconnect de sete polegadas e permite reproduzir vídeos e uma série de funções, que inclui até calculadora. Ele também permite baixar novos aplicativos, que eleva as funcionalidades do sistema. 

O grande senão é que ele não oferece navegação nativa e também não conta com conexão Apple CarPlay e Android Auto, o que faz dele um grande elefante branco. Afinal, para que uma tela tão grande se não se consegue navegar?

A unidade testada ainda contava com retrovisores elétricos e o Kit Tech, que acresce controles de estabilidade e tração, além de assistente de partida em rampa e sistema Start/Stop.

São itens que, somados à pintura metálica, elevaram o valor do cheque para R$ 61.440, uma faixa de valor que se aproxima da versão Drive 1.3 GSR, opção que oferece motor mais potente, além de caixa automatizada, que não é nenhum primor no quesito transmissão, mas que é mais prático do que ficar chacoalhando a alavanca de marchas.

Raio-x Fiat Argo drive 1.0

O que é?
Hatch compacto, quatro portas e cinco lugares.

Onde é feito?
Fabricado na unidade de Betim (MG).

Quanto custa?
Entrada: R$ 53.590
Testado: R$ 61.440

Com quem concorre?
O Argo Drive se posiciona na base dos hatches compactos e tem como rivais modelos como Chevrolet Onix Joy 1.0, Ford Ka S 1.0, Hyundai HB20 Sense 1.0, Nissan March S 1.0, Renault Sandero Life 1.0 (R$ 43.430), Toyota Etios X 1.3, Toyota Yaris X 1.0, Volkswagen Gol 1.0 e Volkswagen Polo 1.0.

No dia a dia
O Argo é um carro que chegou com a missão de substituir Palio, Punto e até mesmo o Bravo. A versão Drive 1.0 é a legítima sucessora do Palio. Trata-se de um carro que oferece praticidade no uso cotidiano. De série, sua cesta de conteúdos é bem simplória e basicamente se limita a vidros dianteiros elétricos, ar-condicionado e direção elétrica. No entanto, permite acréscimos de opcionais que figuram nas versões mais abastadas do carrinho. 

Motor e transmissão
O motor Firefly 1.0 (três cilindros) de 77 cv e 10,9 mkgf de torque pode não empolgar pela cavalaria, mas tem uma das melhores faixas de torque entre as unidades tricilíndricas. Fator que lhe garante bom desempenho e força nas arrancadas. Mas é bom saber que a força do motorzinho só aparece acima dos 2.500 giros. <EM>

A caixa manual de cinco marchas, por sua vez, está longe de ser uma referência, com seus engates longos, imprecisos e a alavanca frouxa, que incomodam. Mesmo assim, casa bem com o motor, apesar de que se fosse mais justa as trocas seriam mais rápidas e o giro cairia menos.<EM>

Como bebe?
Abastecido com álcool, ele registrou média de 8,9 km/l no trajeto urbano.

Suspensão e freios
A suspensão do hatch italiano segue o “padrão” com eixo rígido na traseira e independente McPherson na frente. O acerto privilegia o conforto, mas ele se mostra bastante estável em curvas de maior velocidade, na faixa dos 110 km/h. Já os freios contam com disco na frente e tambor na traseira. A Versão testada contava ainda com controles de tração e estabilidade, além de contar com assistente de partida em rampa, Hill Holder, oferecidos com itens do pacote Kit Tech.

Palavra final
O Argo Drive é uma opção para quem busca um hatch que ofereça mais comodidade que o Mobi e Uno, mas que não seja tão caro quanto as versões mais qualificadas. Por outro lado, ao equipá-lo com opcionais, seu preço esbarra em versões mais sofisticadas do próprio Argo e também de seus concorrentes.