Quando a General Motors apresentou a segunda geração do Chevrolet Onix, a marca apostou numa estratégia agressiva para não afastar o consumidor com aumento de preços. O hatch, assim como o sedã Plus estrearam com versões turbo de entrada e valores abaixo do que seus concorrentes praticavam.

 

O resultado foi o esperado e o Onix (que já era líder de mercado) sustentou o título. Mas aí veio a pandemia e mesmo assim o compacto fechou 2020 como o mais vendido. No entanto, o fôlego do Chevrolet não foi capaz de vencer a escassez global de semicondutores. 

Assim, o Onix e seu irmão três volumes estão sem produção desde abril. E o retorno só acontecerá na segunda quinzena de agosto, caso não ocorra novo atraso. A GM explica que seu carro foi penalizado por usar o dobro desse componentes que seus rivais. 

A Fiat, por exemplo, afirma que o Argo demanda quase 1.200 desses pequenos chips para seus módulos eletrônicos, como multimídia, controle de estabilidade, quadro de instrumentos e tudo mais que tenha gerenciamento eletrônico.

Por esse ponto de vista, o que parece é que a GM perdeu mesmo foi a corrida ao “Ceasa” da indústria. E não porque ela dormiu de touca, mas pelo fato de as matrizes terem prioridade na fila do semi-condutor. Matriz é matriz, e filial é filial.

O teste

E se falta Onix na praça, não faltou na garagem do HD Auto. Testamos a versão Premier II, da linha 2021, que trouxe inovações em conteúdos. O hatch mantém seus bons atributos, mas ganhou alguns itens como carregador sem fio e conexão de smartphone sem cabo. Recursos que permitem manter o aparelho conectado sem consumo exagerado de bateria.

O equipamento é somado a outros itens interessantes, como assistente de estacionamento Easy Park e assistente remoto OnStar, que dão ao Chevrolet mais comodidade e segurança. Afinal, em caso de acidente, é possível chamar socorro pressionando o botão SOS.

O único problema é encontrar um para comprar.

Raio-x Chevrolet Onix Premier 1.0

O que é?
Hatch pequeno, quatro portas e cinco lugares.

Onde é feito?
Fabricado na unidade de Gravataí (RS).

Quanto custa?
R$ 89.880
R$ 91.480 (testado)

Com quem concorre?
O Onix Premier concorre na prateleira de cima dos hatches compactos. Seus rivais são Fiat Argo Precision 1.8, Hyundai HB20 Diamond 1.0, Toyota Yaris XLS Connect 1.5 e Volkswagen Polo Highline 1.0

No dia a dia
É um carro gostoso de dirigir, com muita oferta de força e conteúdos que fazem a vida a bordo bem agradável. Trata-se de um compacto qualificado, com pacote farto, com direito a multimídia MyLink (com Android Auto e Apple Carplay sem fio e câmera de ré), ele ainda recebeu carregador por indução, ar-condicionado digital, vidros e retrovisores elétricos, sistema Easy Park, assim com bancos revestidos em couro. 

Ou seja, um menu refinado que garante comodidade, mas cobra seu preço. Desde o último teste da mesma versão, em junho de 2020, o modelo encareceu quase R$ 14,3 mil. Uma inflação de quase 20%, que fez com que o hatch perdesse aquela competitividade que tinha quando foi lançado.

Mesmo assim, é opção para quem busca conteúdo numa carroceria compacta. Em termos de acabamento, não evoluiu, os materiais duros são uma realidade de qualquer compacto, mas a montagem é boa, assim como o isolamento acústico. 

Motor e transmissão
O motor 1.0 três cilindros turbo de 116 cv e 16,8 mkgf agrada pela oferta de torque em baixa rotação, que confere agilidade ao Onix. Enche rápido, uma vez que a curva de torque é bastante plana. Ou seja, há força disponível a todo tempo. A unidade é combinada com popular caixa automática de seis marchas que a GM utiliza em sua gama, que oferece trocas rápidas e uma programação com foco na eficiência. 

No entanto, as retomadas estão longe de ser as mais espertas. Sem o auxílio de borboletas ou trocas manuais, é preciso contar apenas como o bom e velho “Kick Down”, aquela bombeada rápida no acelerador, que provoca a redução. O problema é que a resposta é lenta. Então, se o amigo estiver com pouca margem na hora da ultrapassagem, é melhor esperar a próxima oportunidade.

Como bebe?
Consumo urbano com etanol 9,2 km/l

Suspensão e freios
A suspensão segue o mesmo padrão da categoria, fazendo uso do conhecido McPherson na frente, e eixo rígido na traseira. Já os freios utilizam a trivial configuração de discos na frente e tambor atrás, mas com assistência do auxílio de partida em rampa. 

Palavra Final
É um carro muito legal, principalmente na versão mais refinada. A combinação do motor turbo com a lista de itens o deixa tão interessante quanto o Polo Highline, mas se sofisticou demais. Tornou-se muito caro e a escassez de componentes impactará ainda mais quando voltar a ser produzido. Tudo isso poderá fazer com que a versão seja só figurante diante de opções simplificadas.