Lançado em 2016 como carro oficial dos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro, o Nissan Kicks caiu no gosto do consumidor. O SUV japonês tem público cativo, que não vende, empresta ou troca. 

A boa fama do modelo se dá pelo bom nível de acabamento, montagem caprichada até mesmo nas versões de entrada. Outro ponto positivo do jipinho é o consumo moderado, que destoa diante de alguns rivais que, literalmente, comem combustível com farinha.

No início do ano, a Nissan resolveu renovar o Kicks. O modelo já tinha passado por plástica lá fora e adotou por aqui as novidades visuais. Foi aquela básica atualização de meia-vida, com faróis redesenhados, para choques e grade. Nada que demandasse uma intervenção na carroceria.

A mudança veio em momento oportuno. Afinal, o segmento recebe novos concorrentes a cada dia. Em 2019, o Kicks foi o quarto SUV mais vendido, com 56 mil licenciamentos, de acordo com a Fenabrave. Em 2020 perdeu duas posições e fechou com 36 mil unidades. 

Claro que o volume foi impactado pela pandemia. Mas nesse período surgiram novos rivais como o Tracker nacional e o Volkswagen Nivus. E esses dois concorrentes empurraram o Kicks mais duas posições abaixo em 2021. Este ano o Kicks é o oitavo no ranking de emplacamentos, com 15 mil unidades comercializadas. 

Mas o senão do Kicks não está no visual, mas debaixo do capô. Ele mantém seu pacato motor 1.6 de 114 cv e 15,5 kgfm de torque, que pode ser combinado com caixa manual ou transmissão automática do tipo CVT, X-Tronic. 

Testamos a versão topo de linha Exclusive, com Pack Tech, que é ofertado por R$ 125.790. Uma delícia de guiar, mas é bom não estar com pressa.

Raio-x Nissan Kicks Exclusive 1.6

O que é?
SUV compacto, quatro portas e cinco lugares.

Onde é feito?
Fabricado na unidade de Resende (RJ).

Quanto custa?
R$ 125.790 

Com quem concorre?
A versão disputa mercado na prateleira de cima dos SUVs compactos. Ele briga com Chery Tiggo 5X, Chevrolet Tracker, Citroën C4, Honda HR-V, Hyundai Creta, Jeep Renegade, Mitsubishi Outlander Sport, Renault Captur e Duster, Peugeot 2008 e Volkswagen T-Cross

No dia a dia
O Kicks não mudou nada em relação à unidade que testamos em janeiro de 2020. Trata-se de um automóvel irrepreensível na cidade. Ele prima pelo conforto, é silencioso e roda macio, o que atenua as agruras de um engarrafamento. 

A qualidade do acabamento agrada, principalmente pelos apliques em couro no painel e também nas portas. Elementos que se destacam diante de seus colegas plastificados.

O pacote de equipamentos da versão inclui novo sistema multimídia, que é mais prático que o anterior e que agrega Apple CarPlay, Android Auto, câmera 360 graus e duas portas USB, sendo que uma delas é no padrão USB-C. O pacote ainda conta com quadro de instrumentos parcialmente digital, partida sem chave, ar-condicionado digital e sistema de áudio Bose. 

Já a cesta de segurança, que já contava com frenagem emergencial e alerta de colisão, passa a oferecer sensores de ponto cego, monitor de faixa e sensor de tráfego cruzado em ré. 

Motor e transmissão
A unidade 1.6 16v de 114 cv e 15,5 mkgf oferece comportamento satisfatório, apesar de ser o motor mais fraco da categoria. Por outro lado, a transmissão X-Tronic (CVT) é a cereja desse bolo de pouco recheio. <EM>

A caixa consegue driblar a falta de fôlego do motor, pois tem atuação rápida e consegue elevar a rotação para faixa máxima de torque com muita rapidez, o que faz do carrinho ágil quando se exige. Ela tem até uma tecla Sport, escondida no pomo da alavanca, mas é quase que um efeito placebo. E o melhor que ela também contribui para o melhor consumo, pois em velocidades estáveis ela mantém o giro na faixa de 1.500 rpm.

Como bebe?
Seu consumo com álcool foi de 7,2 km/l na cidade.

Suspensão e freios
Um dos pontos fortes do Kicks é o acerto de suspensão. O jipinho tem um conjunto que consegue absorver muito bem as irregularidades do asfalto e mantém o carro firme nas curvas, mesmo que seu motor não seja capaz de arrancar fortes suspiros.

O conjunto de freios utiliza discos ventilados à frente e tambor atrás, mas poderia vir com disco nas quatro rodas para facilitar a frenagem. Ele ainda conta com controles de estabilidade (ESP) e tração, além de assistente de partida em rampa.

Palavra final
O Nissan Kicks segue como uma opção bastante agradável para quem busca um SUV compacto. Não é à toa que ele foi o terceiro modelo mais vendido de seu segmento em 2019. No entanto, ele completar quatro anos de mercado e praticamente não passou por nenhuma mudança significativa. São previstos novos motores para os próximos anos, como uma unidade turbo, que já é realidade em boa parte dos rivais.