Testar um carro elétrico é sempre interessante. Apesar de fazer a mesma coisa que qualquer automóvel, é sempre curioso. E chegou a vez de avaliar o Fiat 500e. O carrinho é um grande barato. Melhor, o Cinquecento sempre é um grande barato. Um dos carros mais simpáticos do mercado. E em sua versão elétrica é ainda mais interessante.

Esse carrinho é o Fiat mais sofisticado que a marca pode oferecer. Além da motorização elétrica, ele ainda oferece um pacote farto de tecnologias e assistentes que o colocam no mesmo patamar do primo Jeep Commander. Aliás, os dois se identificam também no preço.

O 500e é vendido por R$ 239.990, um valor assustadoramente caro para um carrinho tão pequeno. No entanto, não se trata de ganância dos italianos, mas um reflexo do cenário econômico brasileiro. Na Europa, o modelo parte de 24 mil euros a 27 mil euros, dependendo do país. Numa conversão direta, ele custaria de R$ 150 mil a R$ 170 mil. Mas como vem da Itália, é aplicada taxa de importação de 35%, além dos demais tributos e a margem de lucro do fabricante e concessionário.

Dois mundos

Mas fato é que, no Velho Mundo é factível ter um elétrico. Por lá o 500e custa quase o mesmo que o SUV 500X. Ou seja, a diferença não é tão gritante como aqui. Outro fator é que na Europa há uma infraestrutura de recarga que cobre todo continente. Além disso, a indústria corre para cumprir com os prazos para eletrificar suas gamas até a virada da década. 

Tudo isso estimula a adoção do elétrico, tanto é que mais da metade dos carros vendidos na Noruega atualmente são elétricos. Por aqui, o cenário é bem diferente. A eletrificação no Brasil não é muito diferente da chegada do automóvel no final do século XIX. 

Naquela época era mais viável ter um cavalo e uma charrete do que importar uma geringonça barulhenta. Pior, ela precisava de um tipo de líquido que não era vendido em qualquer esquina para poder funcionar, enquanto o cavalo era abastecido com capim.

O Carro

Guiar o 500e é como brincar de videogame. A cidade e o habitat desse carrinho, que cabe em qualquer fresta e é muito esperto, devido a constante oferta de torque. Silencioso, se escuta apenas um leve ruído do motor, quando é exigido ou, quando ele aplica uma espécie de freio-motor para recuperar carga. 

Outro ruído é o trecho do tema do longa-metragem “Amarcord”, de Frederico Fellini. O breve trecho é um sutil aviso a os pedestres, tocado brevemente quando o carro chega a 21 km/h. Coisa da Dolce Vita!

Raio-x Fiat 500e Icon

O que é?
Hatch subcompacto, duas portas e quatro lugares.

Onde é feito?
Fabricado na unidade de Mirafiori, Itália.

Quanto custa?
R$ 239.990

Com quem concorre?
O 500e concorre com compactos elétricos como BMW i3, Chevrolet Bolt EV, JAC E-JS1, Mini Cooper SE, Peugeot e-208 GT e Renault Zoe.

No dia a dia
Guiar o 500e, como todo elétrico, demanda um breve condicionamento. Esse carro conta com função One Pedal, em que o motorista não precisa se preocupar com o pedal de freio. Na prática, quando se tira o pé do acelerador, o motor passa a aproveitar o movimento das rodas para gerar carga. Consequentemente inicia um processo de frenagem. Mas o pedal de freio está lá caso seja necessário. Essa função se aplica nos modos Range e Sherpa, enquanto o modo Normal, tem comportamento semelhante a um automóvel convencional com caixa automática. É preciso acelerar e frear.

Como todo Cinquecento, esse carrinho não é o campeão em espaço interno. Mas quem vai na frente não tem do que reclamar. Atrás há só dois assentos. Quatro adultos com até 1,70 m de altura conseguem se acomodar no limite. Mas como se trata de um carro citadino, para percursos curtos, não chega a ser uma tortura.

O acabamento é refinado e há mimos como a abertura das portas por botões no lugar das maçanetas. Há abertura manual (na base da porta) caso o sistema apresente defeito. Mas o que incomoda é o isolamento acústico, que transmite muito ruído para dentro da cabine. 

O pacote de conteúdos do 500e é o que há de mais completo na prateleira da Fiat. Esse carro conta com quadro de instrumentos digital, multimídia em formato retangular (com Apple CarPlay, Android Auto, câmera de ré e navegador). O carrinho ainda conta com partida sem chave, bancos revestidos em couro, acendimento automático dos faróis e teto solar elétrico. O pacote de assistentes adiciona controle de cruzeiro adaptativo (ACC), monitor de permanência de faixa, alerta de colisão, alerta de ponto cego e assistente de frenagem de emergência.

Motor e transmissão
O 500e é equipado com uma unidade de 118 cv e 22 kgfm de torque. O motor oferece toda força a todo momento, o que faz dele um carro muito ágil no trânsito e quando é preciso ultrapassar. Para não comprometer a autonomia, a velocidade máxima é limitada a 150 km/h. No modo Sherpa, ele não passa de 80 km/h, justamente para otimizar a autonomia. A caixa tem apenas uma velocidade.

Consumo
Medir consumo de elétrico é complicado. Ele registrou 8,2 km/kWh. Na prática rodamos 190 km e ainda restou 35% de carga. 

Suspensão e freios
A suspensão do 500e é firme, ele utiliza McPherson no eixo dianteiro e eixo de torção no traseiro. Baixinho, devido ao berço de baterias sob os bancos, o curso da suspensão é curto justamente para proteger as pilhas. Ele soca bastante. Já os freios contam com discos, na frente, e tambores, na traseira. A frenagem é auxiliada pelo motor, nos modos Range e Sherpa

Palavra Final
O 500e é um carrinho incrível. Feito para cidade, mas ainda muito distante da realidade do brasileiro, tanto pelo preço como pela falta de infraestrutura de recarga, que são os grandes empecilhos.

Numa tomada doméstica são necessárias mais de 24 horas para completar as baterias. Num carregador Wallbox, pode variar de 6 a 4 horas. E num posto de recarga rápida é possível “encher o tanque” em uma hora. Ter um carregador doméstico é fundamental para se ter esse carro. Senão, é um celular sem cabo.

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