O segmento de hatches aventureiros foi inaugurado pelo finado Volkswagen CrossFox. Era a resposta da VW para a perua Fiat Palio Weekend Adventure e também para o Ford EcoSport, o precursor dos jipinhos compactos no Brasil. De lá para cá, modelos surgem e desaparecem, mesmo com a popularização dos SUVs, com versões que custam o mesmo que um aventureiro. Esses carrinhos atraem o público por dois fatores: o visual diferenciado e o pacote de conteúdos. 

A Fiat sempre soube explorar bem o nicho dos aventureiros. Além da Weekend Adventure, a fábrica de Betim lançou diversos outros, como Strada, Doblò, Idea, assim como Mobi, Uno e Palio, nas versões Way. Hoje, além do Uno Way, a gama conta apenas com o Argo Trekking, que é uma da opções mais legais do hatch.

Depois de lançar o modelo com motor 1.3 e caixa manual, a Fiat ampliou a oferta para uma versão mais recheada, com motor 1.8 de 139 cv e transmissão automática de seis marchas. É o mesmo conjunto que equipa as versões Precision e HGT, e que fazia falta para o escoteiro, que hoje briga com Ka, Sandero, Tiggo 2 e HB20. 

De série, apenas direção elétrica, ar-condicionado analógico, vidros dianteiros elétricos e multimídia Uconnect de sete polegadas (com Android Auto e Apple CarPlay), o que não é ruim para um compacto de R$ 70 mil com transmissão automática e o motor mais potente da categoria.

Mas toda essa potência tem um custo elevado. E não estamos falando do preço, mas da conta do posto de combustível. Seu consumo com álcool é extremamente elevado e nada se compara com a eficiência do Firefly 1.3. 

Em nosso teste, a média de consumo foi de 5,7 km/l no trajeto misto (urbano e rodoviário). Mas era esperado, quando testamos as versões Precision e HGT de Argo e Cronos, os números não foram diferentes.{HEADLINE}

argo trekking 1.8 anda forte, mas o consumo...

Raio-x Fiat Argo Trekking 1.8 AT6

O que é?
Hatch compacto, quatro portas e cinco lugares.

Onde é feito?
Fabricado na planta de Betim (MG).

Quanto custa?
Entrada: R$ 69.990
Testado: R$ 79.640

Com quem concorre?
O Argo Trekking concorre no segmento de hatches aventureiros, que hoje e representado por Chery Tiggo 2, Ford Ka FreeStyle, Hyundai HB20X, 

No dia a dia
É um hatch muito bem resolvido. Tem boa posição de dirigir (mais elevada) e ergonomia, com comandos de fácil acesso que faz seu uso cotidiano bem agradável. Oferece boa construção, apesar de o acabamento estar longe de ser um primor. Mas justiça seja feita: nenhum hatch compacto oferece acabamento sofisticado. O Trekking por sua vez tem estilo interessantes, as molduras, apliques e adesivos fazem dessa versão a mais simpática da linha. O conjunto trouxe à versão mais vigor e comodidade. <EM>

Junto do motor, o Trekking também foi apresentado com pacote farto de conteúdos, como ar-condicionado digital, partida sem chaves, retrovisores com rebatimento, sensores de chuva, crepuscular e câmera de ré, assim como bancos em couro. Itens que fazem desse carro um luxo só. O problema é que tudo isso é oferecido como opcional, que encarece o carro em quase R$ 10 mil, se somarmos a pintura bicolor.

A grande vantagem do Argo Trekking, além de seu estilo aventureiro, está na altura livre, 4 cm acima do hatch citadino. Apesar de não permitir acesso a terrenos acidentados, ajuda a transpor a buraqueira das vias brasileiras, assim como reduz o risco de raspar o para-choque em rampas e até mesmo rodar em estradas de terra sem sacrificar o assoalho.

Motor e transmissão
O motor Etorq Evo 1.8 16v de 139 cv e 19,2 mkgf nunca foi uma referência em eficiência. Mesmo assim, a combinação da caixa automática de seis marchas garante vigor e trocas suaves. No entanto, não se pode negar que o conjunto trouxe mais comodidade e vigor ao Trekking, pois o fato de não utilizar aquela caixa de cinco marchas, historicamente imprecisa, é um ganho inestimável.

Como bebe?
Abastecido com álcool, registrou média de 5,7 km/l no combinado entre trajeto urbano e rodoviário.

Suspensão e freios
A suspensão do hatch italiano segue o “padrão” com eixo rígido na traseira e independente McPherson na frente. O acerto 4cm mais alto não chega a comprometer a estabilidade, mas ele sacoleja um pouco mais que o restante da linha. Já os freios contam com disco na frente e tambor na traseira, mas pecam por não contar com controle de estabilidade (ESP), nem como item opcional.

Palavra final
O Argo Trekking 1.8 é uma delícia de dirigir. Anda bem que é muito equipado. Oferece a mesma comodidade do Renegade Flex, sem o custo do emblema Jeep. O custo dos opcionais pode assustar mas não foge à realidade do mercado. 

Mas o que pesa é o futuro desse carro, pois a Fiat tem um motor turbo muito mais eficiente para ser lançado em 2021. Sem falar do SUV do próprio Argo, que será uma espécie de Nivus da Fiat e que chega ano que vem. Mas isso é futuro, e quem vive de futuro é vidente.