A caixa automatizada, de embreagem simples, anda sem prestígio no mercado de automóveis. Hoje, apenas Renault, VW e Fiat apostam nesse tipo de transmissão, mas poucos são os modelos que recorrem a ela. Nem mesmo o Uno conta mais com a caixa robotizada. Atualmente, apenas Mobi, Argo e Cronos são equipados com a transmissão. Na marca francesa, somente o Sandero Stepway. Na VW, a SpaceFox. 

Esse tipo de caixa surgiu na segunda metade da década passada como uma opção mais acessível às transmissões automáticas com conversor de torque. A Magneti Marelli dominou esse mercado por aqui e ofereceu a caixa para Fiat, Volkswagen e Chevrolet, enquanto a alemã ZF fechou com a Renault.

No entanto, o tempo longo das trocas de marcha, assim como as reduções e os avanços (controlados apenas pela rotação e não pela condição de rodagem) queimaram o filme da caixa. Sem falar no custo elevado de manutenção.

Testamos o Cronos Drive 1.3 GSR, que parte de R$ 63.990. A Fiat afirma que alterou a calibração da caixa, que passou a “soluçar” menos que as primeiras gerações (Dualogic e Dualogic Plus). 

Fato é que a GSR tende a engasgar nas três primeiras marchas, que são mais fortes. Da terceira para a quarta e da quarta para a quinta, a troca é imperceptível. No entanto, na cidade, as marchas que dominam são as três primeiras. 

Outro senão pela escolha da GSR é que hoje há opções que oferecem caixa automática com conversor de torque por preços mais acessíveis, como é o caso do Toyota Etios Sedan, que parte dos R$ 60 mil e vai até os exatos R$ 64 mil do Cronos robotizado. 

Na faixa dos R$ 65 mil, a GM oferece o Prisma LT 1.4, com caixa de seis marchas, enquanto a Hyundai conta com o HB20S. O ponto positivo é o bom consumo, mas essa virtude é do motor 1.3 de 109 cv e não da caixa da Marelli.

Raio-x Fiat Cronos drive 1.3 GSR

O que é?
Sedã compacto, quatro portas e cinco lugares.

Onde é feito?
Fabricado na planta de Córdoba (Argentina).

Quanto custa?
Entrada: R$ 63.990

Com quem concorre?
O Cronos Precision 1.3 GSR é a única opção de sedã compacto com caixa automatizada. Há pouco tempo, o Voyage também oferecia esse tipo de transmissão, que foi substituída por uma unidade com conversor de torque e seis marchas. 

No dia a dia
O Cronos é um compacto bem ajustado, que oferece bom nível de conforto para quatro ocupantes. O acabamento é simples, com plásticos duros para todos os lados. A versão testada contava com sistema multimídia de série, que oferece conexão nos padrões Apple CarPlay e Android Auto e câmera de ré. 

versão ainda era equipada com vidros elétricos nas quatro portas, retrovisores elétricos, rodas de liga leve, aro 16 e faróis de neblina. Trata-se de uma opção funcional, que oferece mais comodidade que a derivação manual.

Motor e transmissão
O motor Firefly 1.3 de 109 cv e 14,2 mkgf de torque é um dos melhores já feitos pela marca, ao lado da versão 1.0 três cilindros. A unidade entrega muito torque em baixas rotações, o que se mostra excelente em cidades de topografia sinuosa, como Belo Horizonte e adjacências.

No entanto, boa parte desse vigor se perde no conflito com a caixa automatizada GSR. Além dos engasgos rotineiros, a impressão que se tem é que caixa e motor não conversam muito bem. Como já foi dito, melhor seria deixar a caixa robotizada para Uno e Mobi e ofertar apenas a automática de seis velocidades na dupla Cronos e Argo.

Como bebe?
Abastecido com gasolina, ele registrou média de 14.3 km/l no combinado entre trajeto urbano e rodoviário.

Suspensão e freios
A suspensão do hatch italiano segue o “padrão” com eixo rígido na traseira e independente McPherson na frente. O acerto privilegia o conforto, mas ele se mostra bastante estável em curvas de maior velocidade, na faixa dos 110 km/h. Já os freios contam com disco na frente e tambor na traseira. A versão oferece controle de estabilidade (ESP) e assistente de partida em rampa.

Pontos positivos
Consumo
Montagem

Ponto negativo
Engasgos da caixa GSR