O Grand Siena Attractive GNV 1.4 chegou para substituir o antigo Tetrafuel, que era um carro que vinha de fábrica com kit GNV. Agora a Fiat oferece uma pré-disposição para GNV, que inclui cabeçote com válvulas que suportam o combustível, assim como preparação para receber os cilindros e novo coletor para instalação dos bicos injetores de gás.

 

Essa pré-disposição, no entanto, só está disponível para a versão Attractive 1.4, pois as demais são oferecidas com motor Fire 1.0. Ou seja, é preciso desembolsar R$ 58.090, além de R$ 690 pelo opcional, fora o custo da instalação do kit, nas oficinas autorizadas, que custam em torno de R$ 5 mil. Assim, o preço sobe para R$ 63.780.

Se o amigo selecionar todos os opcionais, que incluem pintura metálica, rodas de liga leve aro 16 e o kit Creative, que adiciona volante com comandos de rádio e revestimento em couro, assim como rádio CD, MP3 e Bluetooth, além de quatro alto-falantes, dois tweeters e sensor de ré, o custo passa dos R$ 70 mil.

Por cerca de R$ 2 mil a mais, o consumidor leva para casa um Cronos Drive 1.3 com pacote S-Design, que tem desempenho muito melhor, é mais seguro e moderno.

Ou seja, para o uso pessoal e familiar, o Grand Siena é uma grande furada. Mas para quem trabalha com transporte de passageiros a história muda, principalmente para taxistas que contam com isenção tributária que reduzem em até 30% o preço do automóvel. 

Para motoristas de aplicativos, que utilizam cadastro como microempreendedor individual (MEI), também é possível obter isenções na carga de impostos no modelo de venda direta. 

Por essa ótica, o Grand Siena passa a ser uma opção para quem ganha a vida transportando passageiros. A grande vantagem do GNV está no custo do quilômetro rodado. Na RMBH, o custo médio do metro cúbico gira em torno R$ 3, valor parecido com o do litro do álcool (R$ 3,10). 

No entanto, a autonomia dos 15 metros cúbicos dos cilindros, na casa dos 220 quilômetros, correspondem a cerca de R$ 0,20 por quilômetro rodado. São cerca de R$ 43 para bastecer os “bojões”. 

Já no etanol, os 48 litros do tanque garantem (segundo Inmetro) autonomia de 360 quilômetros. Que numa conta direta, corresponde a cerca de R$ 0,45 por cada quilômetro percorrido cerca de R$ 150 para completar o tanque. 

Ou seja, o custo do quilômetro rodado despenca drasticamente, o que se reflete no custo operacional desse profissional do volante. 

Dessa forma, se o amigo motorista roda 200 quilômetros por dia, ele irá gastar cerca de R$ 40. Para rodar a mesma distância com etanol, ele gastaria alto em torno dos R$ 90. 

No fim do mês pode corresponder a uma economia de R$ 1,5 mil, se o amigo rodar religiosamente todos os dias, o que é rotineiro para quem faz seu próprio ganho. Ou seja, dá para amortizar a instalação com menos de quatro meses. 

Raio-x Fiat Grand Siena Attractive 1.4

O que é?
Sedã compacto, quatro portas e cinco lugares.

Onde é feito?
Fabricado na unidade de Betim (MG).

Quanto custa?
R$ 58.090

Com quem concorre?
O Grand Siena concorre na base de sedãs, onde figuram modelos como Nissan V-Drive, Chevrolet Joy Plus e Volkswagen Voyage.

No dia a dia
O Grand Siena é um carro envelhecido. Seu projeto de 2012 não acompanhou a atual evolução da indústria. Sua arquitetura é defasada, assim como a ausência de multimídia e itens de segurança como o controle de estabilidade, e as bolsas laterais não fazem dele uma opção atraente. O acabamento é simples e seu pacote vem com o trivial: direção hidráulica, vidros elétricos dianteiros e ar-condicionado.

Para se ter comodidade é preciso investir no pacote Creative, que adiciona rádio com CD (isso mesmo), MP3 e Bluetooth, assim como sensores de ré e caixas de som, além de retrovisores elétricos e vidros elétricos traseiros.

Trata-se de um kit que o comprador acaba levando para ter o mínimo de conforto a bordo. No entanto, não há alarme e nem destrava das portas por controle remoto disponível como opcional. Um item que deverá ser adquirido na rede autorizada.

Motor
O desempenho do velho Fire 1.4 de 88 cv e 12,5 mkgf de torque também não empolgam. No gás é que não empolga mesmo, ele se mostra fraco. Oscila bastante em marcha lenta. Assim, na cidade prepare o braço direito e o pé esquerdo para uma academia de horas trocando marchas.

A transmissão é a velha conhecida manual de cinco marchas, com seus irritantes encaixas imprecisos. 

Consumo
O consumo urbano com etanol ficou abaixo do que o Inmetro indica, com média de 5,6 km/l, na cidade. Na estrada ele não passou dos 8 km/l.

Já com o gás, a média citadina ficou na casa dos 15 quilômetros por metro cúbico. Na estrada, não recomendo usar gás, pois o desempenho cai drasticamente, o que torna uma ultrapassagem um verdadeiro suplício.

Suspensão e freios
A suspensão do Grand Siena é dura, como sempre foi, com eixo rígido na traseira e McPherson na traseira. Os freios utilizam disco, na frente, e tambores atrás. A única assistência é o ABS, que obrigatório por lei. 

Palavra Final
O Grand Siena com pré-disposição para GNV é uma opção para o motorista que ganha a vida com transporte de passageiros. É um carro interessante para quem busca reduzir o custo do quilômetro rodado, em que o combustível tem grande impacto.

No entanto, para um consumidor que busca um sedã compacto, o Grand Siena já deixou de ser um carro atraente há muito tempo. O Cronos é uma opção muito mais acertada, moderna e segura. Sem contar as demais opções do mercado, que também flutuam na casa dos R$ 60 mil.