Teste: Fiat Mobi Trekking é bem equipado, bom na cidade, mas é caro demais

Marcelo Jabulas
@mjabulas
07/01/2022 às 10:49.
Atualizado em 10/01/2022 às 02:02
 (Marcelo Jabulas)

(Marcelo Jabulas)

O Fiat Mobi, ao lado do Renault Kwid são os últimos representantes do segmento de populares no mercado brasileiro. No entanto, não é de hoje que figuram apenas de corpo presente, pois seus valores estão longe de ser dignos do segmento de acesso.

E quando se coloca recheio nesses carrinhos, seus preços disparam. É caso do Mobi Trekking, que testamos. Esse pequenino parte de R$ 62.290 e quando se equipa com todos opcionais, salta para R$ 67 mil. São valores alucinantes para um carrinho que estreou há seis anos por menos de R$ 32 mil. Mas o Mobi segue a maré da inflação. Seu finado irmão, Uno, na edição de despedida Ciao, é oferecido por surreais R$ 85 mil. 

Mas fato é que o Mobi vende muito bem. Em 2021, o carrinho emplacou 65.847 unidades, segundo a Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave). E por incrível que parece, por quase R$ 70 mil, o Mobi Trekking figura como uma opção interessante para quem busca um carro novo com acréscimo de “bacon e catupiry”.

O carro

O Mobi Trekking é a opção mais qualificada do carrinho. Ele oferece um pacote de série farto e a lista de opcionais engrossa menos de 10% no valor final. A cesta é composta por itens que não são imprescindíveis, como rodas de liga leve, faróis de neblina (que é um item importante), volante com ajuste de altura, comandos internos para abertura do porta-malas e bucal de abastecimento, assim como retrovisores elétricos e sensor de estacionamento traseiro. Extras que saem por R$ 4 mil.

Abaixo do Trekking, a Fiat oferece apenas a versão Like, por R$ 59 mil. A cesta de conteúdos de série não difere tanto. Além da ausência do visual aventureiro, a opção de entrada também não vem equipada com sistema multimídia Uconnect, que custa R$ 3,5 mil.

Assim, se o consumidor faz questão de automóvel novo, mas não pode esticar a corda do financiamento e nem exige espaço, esse italianinho pode ser uma opção a se pensar.

Raio-x Fiat Mobi Trekking 1.0

O que é?
Hatch sub-compacto, quatro portas e cinco lugares.

Onde é feito?
Fabricado na unidade da Stellantis em Betim.

Quanto custa?
Entrada - R$ 62.290
Testado - R$ 67.040

Com quem concorre?
O Mobi tem como concorrente apenas o Renault Kwid, no escasso segmento de populares, que há muito tempo não tem preço de popular.

No dia a dia
O Mobi foi desenvolvido para ser um carro urbano. Diminuto, seus 3,56 m de comprimento fazem dele um carrinho polivalente no trânsito. Ele cabe em qualquer vaga e se espreme em qualquer fresta nos engarrafamentos. 

No entanto, o corpinho miúdo não faz dele a melhor opção para quem busca um carro familiar. Com apenas 2,30 m de espaço entre-eixos, o espaço interno resolve bem na primeira fileira. Nos bancos de trás apenas crianças vão com o mínimo de conforto. Como disse, é um carro citadino, seu porta-malas de 215 litros não estimula viagens longas, a não ser que o amigo leve o sabão e o amaciante.

Para quem busca um carro para uso cotidiano, não tem problemas com lotação e não abre mão de conteúdos, a versão Trekking agrada. Ela chama atenção pelo pacotinho de conteúdos bastante interessante. De série esse carrinho oferece direção hidráulica, ar-condicionado, multimídia Uconnect de sete polegadas (com conexão sem fio para Android Auto e Apple CarPlay), computador de bordo e vidros dianteiros elétricos.

Ele ainda pode ser equipado com rodas de liga leve aro 14, faróis de neblina, retrovisores elétricos e sensor de estacionamento. Recursos semelhantes ao que se pode encontrar no irmão maior, o Argo.

Motor e transmissão
O Mobi chegou a ser equipado com o moderno Firefly 1.0, mas logo foi removido. A versão Trekking utiliza o velho Fire Evo 1.0 de 75 cv e 9,9 mkgf de torque. No entanto, para um carrinho com 967 quilos, a unidade revolve bem no uso cotidiano. A caixa manual de cinco marchas é uma velha conhecida, com engates imprecisos e curso longo. Horrível.

Como bebe?
Abastecido com álcool, a unidade testada registrou média de 9,6 km/l, na cidade.

Suspensão e freios
A suspensão do Mobi segue o trivial McPherson no eixo dianteiro e eixo rígido no posterior. A altura livre contribui nas saídas de rampa, quebra-molas e buracos. Já o conjunto de freios com disco (frente) e tambor (atrás).

Palavra final
O Mobi nasceu para ser o carro de entrada da marca italiana. Em 2021 fechou o ano como quarto produto da Fiat, mesmo sendo o menos salgado da gama. O problema é que ele encareceu muito. Da última vez que testamos o Mobi, em março de 2020 (que é o mesmo carro testado agora, com diferença de alguns conteúdos como multimídia e chave com telecomando), seu preço subiu R$ 20 mil. 

Assim, o fator preço acaba pesando na hora da compra, pois se o consumidor vai empenhar quase R$ 70 mil na aquisição desse carrinho, se esticar um pouco mais a corda encontra opções mais qualificadas no mercado e mesmo na Fiat, em que é possível comprar o Argo por exatos R$ 70 mil. 

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