Carro de trabalho não foi feito para ser bonito. Foi feito para dar conta da labuta, carregar peso e ter baixo custo de manutenção. A Fiat descobriu isso ainda nos anos 1980 com a segunda geração da picape Fiorino, que tinha como base o Fiat Uno, e vem repetindo a receita desde então. 

Testamos a Strada Endurance cabine Plus, atual de versão de entrada da nova geração. Mais para frente ela trará a Working, ainda mais espartana, que substituirá de vez a primeira geração, que ainda segue em linha como opção de acesso na versão Hard Working.

 

Mas fato é que a Endurance chega com bons atributos para quem não vê cara, mas espera fôlego do coração. Essa picape ampliou a capacidade de carga para 720 quilos e cerca de 1.250 litros na caçamba. 

São valores que fazem dela um carro que é capaz de carregar muito peso, inclusive mais que uma Toro 1.8 (650 kg) sem que o frotista, produtor ou prestador de serviço precise mirar em modelos maiores e bem mais caros. 

Ela parte de R$ 65.990, mas numa modalidade de venda direta, em condições diferenciadas para produtores rurais e pessoas jurídicas. O carro fica cerca de 15% mais barato, custando em torno de R$ 56 mil.

São argumentos que fizeram dela líder de vendas em setembro quase 12 mil unidades licenciadas. Em outubro foram outros 10 mil emplacamentos, segundo balanço da Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave). As vendas diretas correspondem à grande maioria das aquisições da picape. De janeiro a outubro foram comercializadas 60 mil unidades da Strada. Desse total, 80% do volume foi para venda direta.

Outro fator que a Strada oferece que é vista como “bancos em couro” pelos frotistas é sua suspensão com feixe de molas. O mesmo conceito das picapes médias e caminhões, que permite carregar bastante peso. 

Para um produtor que precisa descarregar a produção da Ceasa, levar 720 quilos de carga corresponde ampliar o lucro, pois vende mais com uma única viagem. 

Raio-X Fiat Strada Endurance Plus 1.4

O que é?
Picape leve, cabine simples, duas portas e dois lugares

Onde é feita?
Fabricada na unidade da FCA, em Betim (MG)

Quanto custa?
Entrada: R$ 65.990
Testada: R$ 73.230

Com quem concorre?
A Strada cabine plus concorre com Saveiro e Montana.

No dia a dia?
A Strada Endurance, em essência, não difere da antiga geração. Um carro com apenas dois lugares e acabamento simples. No entanto, ela oferece melhor ergonomia e pode receber conteúdos que são ficção na Hard Working, como o controle de estabilidade (ESP), que é item de série a partir dessa geração. Seu pacote de série é “padrão Strada”: ar-condicionado, direção hidráulica e proteção de caçamba. 

No entanto, ela pode ser equipada com opcionais que adicionam vidros elétricos, multimídia Uconnect (com conexão sem fio para Apple CarPlay e Android Auto, além de câmera de ré), computador de bordo em TFT, sensor de estacionamento e calotas plásticas. São itens que dificilmente serão aplicados frotas, que buscam reduzir ao máximo o custo de aquisição. Mas para o empreendedor que adquire o carro para a labuta, vale a pena investir em um pouco de conforto.

Mas a principal diferença dessa picape é sua caçamba. A maior da categoria e com maior capacidade de carga. São 720 quilos de carga e 1.354 litros de volume. Fatores que enchem os olhos de quem precisa levar peso itens volumosos. Outro detalhe interessante é o espaço atrás dos bancos e a razão de chamar Plus. Essa picape tem espaço para 150 litros de volumes. Dá para levar as compras da semana, assim como mochilas e ferramentas.

Motor e câmbio
A Endurance é equipada com o conhecido motor Fire EVO 1.4 de 88 cv e 12,5 mkgf de torque. Esse motor está longe de garantir vigor atlético à picape. Por outro lado é funcional para quem usa a picape profissionalmente. A manutenção barata reduz seu custo operacional.

Já a transmissão manual de cinco marchas é padrão em toda gama, com os mesmos engates imprecisos de sempre. Mas é preciso reconhecer que, na versão testada, o trambulador se mostrou mais firme que de praxe, como no Endurance Dupla e na topo de linha Volcano.

Consumo
Abastecida com álcool, registrou consumo combinado (rodoviário e urbano) na casa dos 10,5 km/l, sem carga.

Suspensão e freios
Aqui vou repetir o que disse no teste da Endurance cabine dupla. A Strada não se tornou líder de vendas por ser macia. Na verdade é líder porque tem, literalmente, suspensão de caminhão. O conjunto traseiro com feixe de molas e eixo rígido segue lá como na geração passada e na Fiorino Pick-Up. Mas ela conta com batentes graúdos que ajudam a absorver os impactos quando os amortecedores chegam ao final do curso. Na frente, o trivial McPherson.

Os freios são a disco, na frente, e tambor, na traseira. Ela ainda conta com controles de estabilidade e tração, além de assistente de partida em rampa (Hill Holder). Ela ainda com bloqueio de diferencial eletrônico.

Palavra final
A Strada Endurance mantém o principal atributo que faz sua antecessora líder absoluta de vendas: a robustez. Esse carro carrega muito peso e tem manutenção simples e barata. São fatores que reduzem o custo operacional. Pois uma picape maior necessita de pneus mais caros, tem mecânica mais cara e demais custos que impactam na produtividade. É carro que leva a Fiat na caçamba e o negócio do cliente.