O lançamento da Toro em 2016 foi uma jogada ousada da Fiat. Ela entrou no mercado de picapes (acima das leves) com um veículo monobloco, dimensões intermediárias e promessa de capacidade de carga de uma picape média. 

 

O resultado é que a Toro se tornou a segunda caminhonete mais vendida do mercado, ficando atrás apenas da irmã Strada. Um dos trunfos do utilitário italiano era o motor 2.0 turbodiesel de 170 cv e 35 kgfm de torque. Naquela época era combinado com tração dianteira e transmissão manual - que foi uma das combinações mais porcas da marca - e não demorou para sair de linha.

Mas esse conjunto não era o grande senão da Toro. A marca também oferecia a picape com motor Etorq 1.8, que passou de 132 para 139 cv. Ela equipava as versões de entrada. A Fiat até incluiu uma unidade 2.4 de 186 cv, mas também não teve vida longa.

Assim, entre defasado e beberrão 1.8 e o caríssimo, mas potente turbodiesel, havia uma lacuna que só agora foi preenchida, com o novíssimo 1.3 turbo de 185 cv e 27 kgfm de torque. 

O motor acaba de ser adicionado à picape, que também passou pela primeira reestilização e por um banho de loja. As mudanças são sutis, afinal a Toro é dona de um desenho sofisticado e que não permite uma “mão pesada”. A picape passou por ajuste nos faróis, grade, para-choque dianteiro e capô. Mas são ajustes que a deixaram mais jovem. 

Testamos a versão Volcano Turbo 270 1.3, que pela primeira vez combina a versão com motor bicombustível. Com preço inicial de R$ 144.990, é a opção mais sofisticada com o motor turbo flex.

A evolução da Toro não ocorreu por uma necessidade de a Fiat tornar a picape mais sofisticada. As melhorias vieram a reboque da reestilização do primo Jeep Compass. Esse sim precisava realmente de uma atualização consistente para manter a liderança entre os SUVs médios, que hoje concorrem com VW Taos e Toyota Corolla Cross.

A Toro não tem esse tipo de problema, ainda, mas a Stellantis recheou a picape para elevar a escala e reduzir o custo de produção. Afinal, com Toro, Compass e o futuro Commander, o grupo amortiza mais rapidamente os investimentos da fábrica de motores de Betim, que demandou aporte de R$ 500 milhões.

Raio-x Fiat Toro Volcano 270 1.3

O QUE É?
Picape cabine dupla de porte intermediário, quatro portas e cinco lugares.

ONDE É FEITA?
Fabricada na unidade da FCA em Goiana (PE).

QUANTO CUSTA?
Entrada: R$ 144.990
Testada: R$ 151.490

COM QUEM CONCORRE?
A Toro flex compete apenas com a Renault Duster Oroch.

NO DIA A DIA?
Já cansamos de dizer que um dos principais trunfos da Toro é o fato de ser uma picape que se comporta como carro de passeio. A versão Volcano Turbo 270 mantém essas características, mas tem como grande diferencial o novo motor 1.3, assim como seu pacote de conteúdos. 

A picape oferece de série itens como quadro de instrumentos digital, ar-condicionado digital de duas zonas, partida sem chave, carregamento sem fio, retrovisores elétricos com rebatimento, bancos revestidos em couro e ajuste elétrico para motorista, retrovisor fotocrômico, sensor crepuscular e acionamento automático do limpador de para-brisas, teto-solar, assim como rodas de liga leve aro 18 e faróis de neblina. Ele ainda conta com alerta de colisão, frenagem automática de emergência, monitor de faixa e ajuste automático de facho dos faróis.

O único opcional (R$ 3.500) é o sistema multimídia de 10,1 polegadas. A grande tela vertical conta com navegação GPS nativa, internet 4G (TIM), conexão Android Auto e Apple CarPlay sem fio, assistente Amazon Alexa, câmera de ré, assim como sistema de acesso remoto Fiat Connect. <EM>

O sistema de acesso remoto permite monitorar diversos parâmetros da picape, como nível de combustível, alerta de furto e movimento, além de permitir dar partida no motor de forma remota e acionar ar-condicionado ou aquecimento. Recursos que permitem ficar sempre de olho no carro.

MOTOR E TRANSMISSÃO
O grande barato da Toro é o novo motor turbo 1.3 de 185 cv e 27 kgfm de torque. A unidade é combinada com transmissão automática de seis marchas e tração dianteira. O novo motor deu à Toro um ganho de vigor que não existe no bloco 1.8. Todo torque do motor está disponível em apenas 1.750 rpm. O Etorq entrega 19,1 kgfm a elevados 3.750 giros. Ou seja, a picape ficou mais nervosa e eficiente.

COMO BEBE?
Abastecida com álcool, ela registrou 6,3 km/l na cidade e 9,5 km/l no trajeto rodoviário.

SUSPENSÃO E FREIOS
A Toro tem bom acerto de suspensão, principalmente na traseira, que utiliza conjunto independente no lugar do tradicional eixo rígido e feixe de molas. 

O sistema de freios se mostra adequado para um veículo de quase 1,8 tonelada, mas não convém deixar para frear em cima da hora. Ela ainda conta com controles de estabilidade (ESP) e tração, assim como assistente de partida em rampa (Hilll Holder).

PALAVRA FINAL
A Fiat conseguiu eliminar o grande senão da Toro, que era a falta de um motor flex capaz de deslocar o utilitário com agilidade e sem consumir como um dragão. E mesmo não sendo a opção mais cara do portfólio, o ganho de conteúdos tornou a picape mais segura e sofisticada.