Teste: Guiamos o Fiat Argo Trekking 1.3, que virou coadjuvante do Pulse

Marcelo Jabulas
@mjabulas
18/12/2021 às 09:15.
Atualizado em 29/12/2021 às 00:34
 (Marcelo Jabulas)

(Marcelo Jabulas)

Quando a Fiat lançou o Palio Weekend Adventure, no fim dos anos 1990, ela abriu a Caixa de Pandora dos aventureiros. Inspirada nas peruas off-road europeias como Volvo XC70 e Audi A6 Allroad, não demorou para que surgissem incontáveis hatches com pegada aventureira. 

 Esses carros surgiram como um paliativo da própria indústria para suprir a falta de um SUV compacto. Nos anos 2000, apenas a Ford contava com um utilitário derivado de um hatch, o EcoSport. Assim, o jeito era apostar nos aventureiros. A Fiat vendeu até o monovolume Idea, assim como o Doblò, com a chancela Adventure. 

Hoje o sobrenome para esses escoteiros Betim é Trekking. E é aplicado nos modelos Mobi e Argo. Acontece que entrou um “boi na linha”, e ele se chama Pulse.

Com a chegada do “SUV da Fiat”, o Argo Trekking viu seus domínios ameaçados. Afinal, para que um hatch de proposta “off-road” se a marca já conta com um SUV? Na VW, a referência em aventureiro partiu dessa para melhor este ano. Era o Fox, que ainda mantinha a versão Xtreme como um sucessor do CrossFox. A GM tirou o Onix Activ quando atualizou o hatch, para não criar “fogo amigo” com o Tracker.

E como fica o Argo Trekking? Por hora, o hatch aventureiro segue em linha. A marca mantém as versões com motores 1.3 e 1.8. A opção com motor maior fatalmente será descontinuada, uma vez que a unidade Etorq de 139 cv não atenderá as exigências de emissões do Proconve L7, que entra em vigor em janeiro.

Por outro lado, a versão 1.3 seguirá seu curso, pois se posiciona num degrau mais baixo (R$ 79 mil) que o Pulse, que parte de R$ 84 mil em sua configuração de entrada. Assim, o Argo Trekking encontrará sobrevida como uma opção de acesso no mundo da aventura. O problema é quando se equipa, aí fica mais caro que jipinho betinense. 

Raio-x Fiat Argo Trekking 1.3 2022

O que é?
Hatch compacto, quatro portas e cinco lugares.

Onde é feito?
Fabricado na planta de Betim (MG).

Quanto custa?
Entrada: R$ 78.990
Testado: R$ 86.930

Com quem concorre?
O Argo Trekking concorre no minguado segmento de hatches aventureiros, onde resistem Hyundai HB20X e Renault Stepway.

No dia a dia
O Argo é um compacto muito bem acertado, que oferece bom nível de conforto para quatro ocupantes. A versão Trekking não difere em nada da opção citadina, com exceção da altura livre 4 cm superior, muito em função dos pneus de uso misto.

O acabamento é simples, com plásticos duros para todos os lados. Seu pacote inclui ar-condicionado, multimídia (que oferece conexão nos padrões Apple CarPlay e Android Auto sem fio). Há opcional de câmera de ré, bancos em couro, ar-condicionado digital, partida sem chave e rodas de liga leve aro 15.

É um carrinho que se diferencia pelo estilo, com suas molduras e adesivos que temperam a versão. 

Motor e transmissão
O motor Firefly 1.3 de 109 cv e 14,2 mkgf de torque resolve muito em na linha Argo. A unidade entrega muito torque em baixas rotações que se mostra excelente em cidades de topografia sinuosa, como Belo Horizonte e adjacências.

Já a caixa manual de cinco marchas... Ela é uma velha conhecida do consumidor Fiat. Seus engates são longos e pouco precisos, o que faz dela incômoda. Além disso, merecia um escalonamento mais longo na quinta, para permitir velocidades de cruzeiro com o giro mais baixo, reduzindo ruído e consumo.

Como bebe?
Abastecido com álcool, ele registrou média de 9,7 km/l no combinado entre trajeto urbano e rodoviário.

Suspensão e freios
A suspensão do hatch italiano segue o “padrão” com eixo rígido na traseira e independente McPherson na frente. O acerto 4 cm mais alto não chega a comprometer a estabilidade, mas ele sacoleja um pouco mais que o restante da linha. Já os freios contam com disco na frente e tambor na traseira, mas pecam por não contar com controle de estabilidade (ESP), nem como item opcional.

Palavra Final
Mesmo com a chegada do Pulse, o Argo Trekking manterá o mesmo papel que sempre desempenhou. É aquele carro para o consumidor que flerta com um SUV, mas falta cacife. O problema é que a diferença do Trekking 1.3 para a opção de entrada do Pulse é de apenas R$ 5 mil. 

Ou seja, o consumidor pode levar o jipinho italiano pagando uma diferença pequena. Mas ainda sim, o Trekking resolve bem para quem busca um visual bacaninha e um alguns centímetros a mais para encarar os buracos das vias brasileiras. 

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