Outro dia, um senhor me parou no estacionamento e puxou papo sobre o Civic Touring. “Esse carro é muito bom, tive um. Mas esse novo ficou muito extravagante, não dá mais pra mim”, afirmou o simpático estranho. 

Daí a gente começou a papear sobre as virtudes e pecados do Civic, o que acabou me chamando a atenção para qual é o verdadeiro lugar desse carro, que vive uma síndrome de Peter Pan, em sua décima geração.

 

Não há como contestar que a atual geração do Civic chama atenção por seu estilo quase “exótico”, principalmente quando se trata de um sedã médio, categoria em que figuram consumidores que já se estabilizaram na vida e buscam mais o que o carro pode entregar de conforto do que expressar jovialidade.

Young people
Acontece que o Civic não foi desenvolvido para senhores. Ele é um carro que atende a uma faixa de consumidor com perfil jovem em seu principal mercado, o norte-americano. Lá, o Civic vende em média 300 mil unidades ao ano. Por aqui, não deverá chegar a 30 mil unidades. 

Lá, é considerado um automóvel compacto. É o carro do jovem que saiu de casa e começou a vida por conta própria. Aqui é bem diferente, mas não por uma questão de gosto e sim de preço. O Civic é um carro que começa perto dos R$ 100 mil, fator que eleva sua faixa etária para um consumidor com maior poder aquisitivo. 

Recheio
Mas seu jeito “paquitão” de ser, como dizem os paulistas, não desabona seus predicados. O Civic é um carro que impressiona pelo conforto e pacote de conteúdos, principalmente na versão Touring (topo de linha) que oferece ar-condicionado digital de duas zonas, multimídia (com Apple CarPlay, Android Auto, GPS, câmera de ré e câmera para conversão à direita), assim como bancos revestidos em couro, quadro de instrumentos digital e tudo mais que se espera de um sedã de R$ 135 mil. 

Por outro lado, deixa a desejar em itens como assistentes de condução, controle de cruzeiro adaptativo e auxílio de estacionamento, que figuram em alguns de seus concorrentes. 

Raio-x Honda Civic Touring Turbo 1.5

O que é?
Sedã médio, quatro portas e cinco lugares.

Onde é feito?
Fabricado na unidade de Sumaré (SP).

Quanto custa?
R$ 134.990 

Com quem concorre?
O Civic Touring, concorre na prateleira de cima dos sedãs médios, onde figuram rivais como Chevrolet Cruze Premier 1.5 (R$ 124 mil); Toyota Corolla Altis Hybrid Premium 1.8 (R$ 131 mil) e Volkswagen Jetta GLI (R$ 145 mil)

No dia a dia
O Civic é um automóvel que entrega muito conforto e comodidade a bordo, que não deixa a desejar diante de concorrentes do segmento premium, que se posicionam num patamar superior. A qualidade do acabamento impressiona, muito pela atenção em revestir qualquer canto em que mãos e cotovelos encostem. Trata-se de uma atenção peculiar na marca japonesa, que cria um percepção de sofisticação e que, de certo modo, compensa a ausência de tecnologias como assistente de estacionamento ou controle de cruzeiro adaptativo. 

O Civic tem posição de dirigir baixa, com o console elevado, além de linha de cintura alta. Para motoristas baixinhos é necessário elevar a altura do banco para enxergar à frente, já que o capô é bem largo. O campo de visão traseiro também não é dos melhores, devido ao balanço acentuado da coluna C. No entanto, a versão tem um recurso interessante que é a câmera auxiliar no retrovisor direito, que ajuda nas manobras e conversões. 

Mesmo assim, é um carro extremamente fácil de manobrar, pois o jogo de direção permite manobras em espaços curtos com praticidade ímpar. No entanto, é imprescindível o auxílio da câmera de ré. 

Motor e transmissão
A unidade 1.5 turbo de 173 cv é um motor sofisticado, que tem foco na eficiência, deixando a performance em segundo plano. O propulsor tem respostas rápidas e o turbo entrega seus 22,3 mkgf numa faixa de rotação plana, que não demanda esticar muito o giro. 

A caixa automática do tipo CVT, que emula sete marchas, sempre busca uma faixa de rotação que privilegia a eficiência energética, mas responde de forma imediata quando há demanda de força.

Como bebe?
A unidade turbo só pode ser abastecida com gasolina e seu consumo na cidade ficou em torno de 11,0 km/l.

Suspensão e freios
O acerto de suspensão é firme, o que faz dele um carro muito estável, principalmente em curvas de alta velocidade. Já os freios a disco nas quatro rodas permitem imobilizar o sedã em poucos metros. Destaque para o sistema “Brake Hold”, que mantém os freios pressionados no trânsito sem a necessidade manter o pé no pedal.

Palavra final
O Honda Civic Touring é um médio moderno que oferece muito conteúdo, mas ainda não agregou itens tecnológicos como ACC e Park Assist, frenagem de emergência e motorização híbrida. 

São itens que fatalmente figurarão na cesta do sedã num futuro próximo. Por outro lado, são equipamentos que elevam o preço final e que ainda não ganharam grande adesão do público, que muitas vezes não sabe como utilizá-los. 

Seu grande senão do passado, o preço, ainda é elevado. Mas seus rivais encurtaram a distância, o que não faz dele um acinte, como era há três anos.