Não se pode duvidar da sabedoria oriental. Quando a Honda lançou o HR-V, sabia que o jipinho seria um sucesso. E também sabia que teria demanda elevada. Daí, usou e abusou da lei da oferta e da procura. Resultado: o HR-V ficou muito caro. Hoje custa de R$ 99.100 a R$ 142.700.

Mas com a escalada de preços, a marca deixava descoberta uma faixa mais baixa. Buraco que ela tapou em 2017 com o WR-V. Todo mundo sabe, mas não custa lembrar, esse modelo é um aventureiro desenvolvido sobre o Fit.

Para diferenciar do monovolume, o WR-V ganhou frente exclusiva (que não é bonita), suspensão reforçada e um monte de adereços plásticos, que dão a ele um ar robusto. O grande lance desse carro é atender ao consumidor que chega na revenda seduzido pelo HR-V, mas falta cacife para bancar o jipinho.

E tem funcionado. Não com tanta expressividade, mas atendido o consumidor que viu o sonho desfeito pela etiqueta colada na janela. Este ano, a Honda emplacou 28.822 unidades do HR-V e outras 9.245 do WR-V, segundo o balanço da Fenabrave, que indica o desempenho de janeiro a novembro deste ano.

Por ser mais barato (seus preços vão de R$ 83.400 a R$ 94.700), a lógica indicaria que teria maior volume. Mas sejamos francos, mirar no HR-V e acertar o WR-V não tem o mesmo sabor.

O teste

Testamos a versão EXL, da linha 2021, mais cara e completa. O modelo passou por um leve retoque, que deixou sua carinha mais agradável. Mas sem a mesma simpatia do Fit e nem do HR-V. Ele passou a contar com faróis em LED e na traseira, recebeu finalmente um para-choque, pois a peça anterior ficava mais recuada que as lanternas.

De resto, não há novidades no carrinho. Motor, transmissão, assim como a grande maioria dos conteúdos, são os mesmos. O lado bom é que trata-se de uma mecânica confiável, e o bom lastro que o emblema da Honda carrega. Por outro lado esse carro peca pela ausência de tecnologia, que fazem dele caro diante de opções mais modernas e valor semelhante.

Raio-x Honda WR-X EXL 1.5

O que é?
Monovolume aventureiro, quatro portas e cinco lugares.

Onde é feito?
Fabricado na unidade de Sumaré (SP).

Quanto custa?
R$ 94.700 

Com quem concorre?
O WR-V concorre na seara dos aventureiros derivados de compactos como Chery Tiggo 2 e Volkswagen Nivus. Mas também disputa terreno com Fiat Argo Trekking, Ford Ka FreeStlye, Hyundai HB20X e Renault Stepway.<EM>

No dia a dia
O WR-V é um automóvel tão agradável no uso cotidiano quanto o Fit. A posição de dirigir é boa, assim com a distribuição dos instrumentos. O espaço interno é generoso e o espaço para bagagem de 363 litros, é mais farta que num compacto. A qualidade do acabamento esta longe de repetir o que visto no HR-V. Ele é basicamente composto por plástico duro, mas a qualidade da montagem é boa.

O carrinho tem pacote de conteúdos que inclui multimídia (com câmera de ré, conexões Apple CarPlay e Android Auto), assim como ar-condicionado digital, bancos revestidos em couro, mas deixa desejar por não incluir nenhum tipo de assistência de condução, assim como itens triviais na sua faixa de preço como sensor de chuva, assim como partida sem chave.

Motor e Transmissão
A unidade i-VTEC 1.5 de 116 cv e 15,3 mkgf de torque associada à transmissão do tipo CVT oferece bom comportamento no trânsito e privilegia relações de baixa rotação. Como todo CVT, quando o motor é exigido ele sobe o giro muito rápido para operar na faixa máxima de torque ao, que no caso é em 4.800 rpm. Mas basta suavizar o pé que ele derruba o giro numa espécie de Overdrive.

Como bebe?
A média de consumo no combinado entre trajeto urbano e rodoviário, com álcool, foi de 10,7 km/l.

Suspensão e freios
O acerto de suspensão é firme, o que faz dele um carro muito estável. No entanto, a suspensão traseira é dura e quem viaja atrás sofre com lombadas e buracos. Já os freios a disco na frente, e tambor na traseira, não sofrem param imobilizar os 1.130 quilos do modelo. Ele ainda conta com controle de estabilidade (ESP) e auxílio da partida em ladeira (Hill Holder).

Palavra final
WR-V é um paliativo para o consumidor que quer comprar HR-V, mas não pode pagar por ele. O modelo faz uso da confiabilidade da marca. Para quem dirigiu um Fit, esse carro não difere muito, apesar de ser mais alto. 

O grande senão é que o WR-V, assim como o Fit, já estão datados. Faltam novas tecnologias, como assistentes de condução, que existem em rivais que na mesma faixa de preço. Em suma, é para o consumidor que faz questão de ter um Honda. E a marca sabe muito bem disso.