O dragão da inflação dirige um utilitário-esportivo (SUV). E o Jeep Compass é um deles. Depois de dois anos voltamos a testar a versão Longitude flex, que não decepciona em estilo, conforto e conteúdos. Mas fato é que o modelo ficou cerca de R$ 20 mil mais caro do que era há exatos 24 meses. 

Em fevereiro 2017, quando o testamos pela primeira vez, ele partia de R$ 110 mil. Hoje, não sai da loja por menos de R$ 130 mil. Ou seja, a remarcadora andou reajustando aproximadamente R$ 830 mês a mês. 

Mas sejamos francos, o dragão não passeia só de Jeep. Na verdade, ele dá voltas em todos os automóveis, inclusive nos concorrentes que também encareceram na mesma proporção. 

Fato é que o Compass Longitude Flex segue como uma opção para quem busca um SUV de luxo, mas não quer pagar (muito a mais) pela capacidade off-road das versões diesel com tração 4x4. Ele é um carro para o consumidor urbano, que se atreve a passeios campestres, mas nada de desafiar as leis da físicas em pirambeiras.

Nesses dois últimos anos, o Compass tem sustentado a liderança, com argumentos como o bom acabamento, o pacote de conteúdo, o valor agregado do emblema Jeep e o design bastante atraente.

No entanto, as versões equipadas com motor bicombustível pecam pelo consumo elevado. O Compass é beberrão, não nos moldes do finado primo Fiat Freemont, mas ele bebe muito, principalmente com o derivado da cana de açúcar.

E nesse período surgiram concorrentes bem mais eficientes, como o Peugeot 3008, Chevrolet Equinox, Volkwagen Tiguan Allspace, Hyundai Tucson GDI e até mesmo o estreante Chery Tiggo 7. Todos equipados com motores turbo, de maior eficiência. 

O Compass tem algo que ninguém tem, um nome que é sinônimo de 4x4, mas isso não enche o tanque.

Raio-x Jeep Compass Longitude 2.0 flex

O que é?
Utilitário-esportivo (SUV) médio de cinco lugares.

Onde é feito?
Produzido na unidade de Goiana (PE).

Quanto custa?
Base R$ 129.690
Testado R$ 136.390
Completo R$ 145.490

Com quem concorre?
O Compass equipado com motor bicombustível e tração 4x2 concorre com modelos de porte médio e que também não têm aptidão para o fora de estrada. Entre eles estão o novato Chery Tiggo 7 TXS (R$ 117 mil), Chevrolet Equinox LT (R$ 147.490), Hyundai Tucson Limited (R$ 138 mil), Kia Sportage EX (R$ 139 mil) e Volkswagen Tiguan Allspace 250 TSI (R$ 128.990).

No dia a dia
Uma das virtudes do Compass é o comportamento de automóvel de passeio na carroceria de um utilitário. Esse jipe se destaca pela excelente montagem e acabamento, assim como pela oferta generosa de espaço interno. O porta-malas oferece 410 litros.

A versão testada é equipada com direção elétrica, ar-condicionado de duas zonas, bancos revestidos em couro, trio elétrico (vidros, travas e retrovisores elétricos), freio de estacionamento eletrônico, multimídia de oito polegadas (com USB, conexão Apple CarPlay, Android Auto, câmera de ré e Bluetooth). 

Os 4.41 metros de comprimento não vão muito além de um sedã médio, e mesmo sendo meio metro maior que um popular compacto ainda sim o Jeep não é difícil de manobrar. Ele é um carro que tem linha de cintura larga para acomodar caixas de rodas avantajadas. 

Motor e transmissão
O motor Tigershark 2.0 de 166 cv e 20,5 mkgf de torque chegou como uma necessidade ao Compass. Ele é infinitamente superior ao defasado 1.8 de 139 cv que equipa o Renegade. 

Apesar da boa oferta de potência, ela, assim como o torque, só aparece mesmo acima dos 3.500 giros, o que pode comprometer drasticamente o consumo. A caixa de seis marchas tem bom escalonamento e respostas rápidas, mas não é capaz de conter o apetite do motor. 

Como bebe?
Abastecido com álcool, a unidade testada registrou média de 6,3 km/l no combinado entre trajeto urbano e rodoviário. Trata-se de um consumo justificável, mas está muito aquém do que os concorrentes com motores turbo consomem.

Suspensão e freios
Assim como na versão turbodiesel, o Compass flex utiliza suspensão independente nas quatro rodas, mas com acerto que privilegia um mais macio rodar no asfalto, sem o excesso de rigidez exigida para uso fora-de-estrada. No entanto, para facilitar as frenagens, o SUV conta com freios a disco nas quatro rodas, além de controle de partida em rampa (Hill Holder)e freio de estacionamento eletrônico. Ele ainda oferece controles de tração e estabilidade (ESP).

Pontos positivos
Montagem
Acabamento
Conforto

Pontos negativos
Custo dos pacotes de opcionais
Consumo
Preço