O Chevrolet Onix está para a General Motors, assim como o Gol foi para a Volkswagen e o Uno (Mille) foi para a Fiat. Se o VW foi líder por quase 30 anos e o italiano contribuiu para que o Brasil se tornasse o principal mercado da marca de Turim, o Onix não só se tornou o carro mais vendido do país, mas também alçou a GM à liderança do mercado. Claro que fatores como as aposentadorias dos dois veteranos ajudaram na jornada do hatch da marca da gravata borboleta, mas ele tem fortes atributos para se manter na liderança do mercado.

 

Depois de sete anos de mercado, o Onix mudou de carroceria, apresentada em setembro passado, mas com lançamento comercial em dezembro. Trata-se de um carro totalmente novo, que herdou projeto desenvolvido pela GM chinesa para o Onix Plus. A contrapartida da engenharia brasileira foi finalizar a versão hatch, que também será servida na terra dos pandas. O novo Onix tem identidade própria, não faz referência ao seu antecessor, assim como aconteceu com o Gol duas vezes e também com o Uno. 

Se a cara é nova, por dentro tudo mudou. O hatch oferece bom espaço interno, ergonomia bastante superior ao seu antecessor (que continua em linha como Joy). A qualidade do acabamento evoluiu, com peças em diferentes camadas. Mas não espere por sofisticação. Na versão topo de linha, Premier, o máximo de refinamento que obtém é couro no volante e nos encostos das portas. 

Em termos de conteúdos o Onix Premier impressiona pela fartura de equipamentos como: direção elétrica, ar-condicionado digital, multimídia MyLink (com conexão Apple CarPlay, Android Auto, Internet 4G, Wi-Fi e câmera de ré), partida sem chave, acendimento automático dos faróis, sensores dianteiros e traseiros e assistente de partida em rampa. A cereja do bolo que é o sistema Easy Park, que é o nome que a GM deu para o assistente de manobras. Trata-se de uma série de conteúdos que até agosto do ano passado seria ficção para o Onix. 

Turbo

Mas a grande sacada da GM foi introduzir o motor turbo 1.0 de três cilindros ao Onix. A unidade de 116 cv e quase 17 mkgf de torque oferece comportamento infinitamente superior ao antigo 1.4 do velho Onix. Além disso, o consumo também assusta, mas de forma positiva (leia na ficha). 

Com uma gritante qualificação em relação ao seu antecessor, era de se esperar valores bastante elevados. Mas a GM adotou uma estratégia de lançamento agressiva com valores iniciais abaixo dos R$ 50 mil, inclusive com opção turbo e caixa automática. Mas a brincadeira durou pouco. Hoje o Onix começa em R$ 53 mil e chega até R$ 80 mil, que é exatamente unidade que testamos, que quando foi lançada era oferecida por 73 mil.

Raio-x Chevrolet Onix Premier 1.0 AT6

O que é?

Hatch pequeno, quatro portas e cinco lugares.

Onde é feito?

Fabricado na unidade de Gravataí (RS).

Quanto custa?

R$ 75.490
R$ 80.280 (testado)

Com quem concorre?

O Onix Premier concorre na prateleira de cima dos hatches compactos. Seus rivais são Fiat Argo Precision 1.8, Ford Ka Titanium 1.5, Hyundai HB20 Diamond 1.0, Toyota Yaris XLS Connect 1.5 e Volkswagen Polo Highline 1.0

No dia a dia

O Onix Premier se apresenta como uma opção para o consumidor que busca conteúdo, mas não precisa de um carro de porte maior. A versão conta com pacote farto que garante as comodidades de um hatch médio de outrora. Em termos de acabamento, os materiais duros são uma realidade de qualquer compacto, mas a montagem é boa, assim como o isolamento acústico. Os bancos em couro ampliam a percepção de requinte.

Assim, no uso cotidiano a fartura de conteúdos, o baixo nível fazem dele um automóvel extremamente agradável. Mesmo sendo compacto, os sensores traseiros e dianteiros, assim como a câmera de ré são aliados nas vagas exprimidas. E se tudo isso não for capaz, ative o Easy Park e deixe que ele se encarregue da manobra.

Motor e transmissão

O motor 1.0 três cilindros turbo  de 116 cv e 16,8 mkgf  agrada pela oferta de torque em baixa rotação, que confere agilidade ao Onix. O motor enche rápido, uma vez que a curva de torque é bastante plana. Ou seja, há força disponível a todo tempo. A unidade é combinada com popular caixa automática de seis marchas que a GM utiliza em sua gama, que oferece trocas rápidas e uma programação com foco na eficiência. 

No entanto, as retomadas estão longe de ser as mais espertas. Sem o auxílio de borboletas ou trocas manuais, é preciso contar apenas como o bom e velho “Kick Down”, que é aquela bombeada rápida no acelerador, que provoca a redução. O problema é que a resposta é lenta. Então, se o amigo estiver com pouca margem na hora da ultrapassagem, é melhor esperar a próxima oportunidade.

Como bebe?

Nesse teste registramos dois percursos de 200 quilômetros, com uso de álcool. Um urbano e outro rodoviário e obtivemos média de 10,4 km/l (na cidade) e 15,0 km/l (na estrada).

Suspensão e freios

A suspensão segue o mesmo padrão da categoria, fazendo uso do conjunto independente (McPherson) na frente, e eixo rígido na traseira. Já os freios utilizam a trivial configuração de discos na frente e tambor atrás. 

Palavra Final

Ou seja, o Onix é um carro que surpreende, capaz de nos fazer esquecer de aberrações como Agile e da precariedade do Celta, que protagonizaram uma época dura para a gigante de Detroit. O problema é que elae está encarecendo rápido. É o preço da fama.