A Peugeot iniciará as vendas do SUV 2008 THP automático em novembro. O principal destaque é a inédita combinação do motor turbo de 173 cv e a caixa automática de seis marchas. Mas quem não faz questão de um motor muito potente, e se recusa a abrir mão da praticidade de dirigir sem trocar marchas manualmente, a versão Griffe 1.6 pode ser uma opção mais em conta.

Testamos o modelo que tem preço sugerido de R$ 89.990 (valor R$ 10 mil mais barato que a futura Griffe turbo), que se destaca pelo funcionamento silencioso, boa posição de dirigir e pacote de conteúdos farto. Trata-se de um automóvel que lembra – e muito – o Nissan Kicks, tanto no quesito conforto, quanto no desempenho. O motor 1.6 de 118 cv não difere muito da unidade 1.6 de 116 cv do jipinho japonês.

 

Fora do armário
Quando a Peugeot lançou o 2008, em 2015, ela não quis categorizar o modelo como utilitário-esportivo (SUV) e sim como crossover: que era como se chamavam os aventureiros derivados de modelos convencionais. Em termos de marketing, foi um tremendo tiro no pé – afinal de contas, há uma demanda fervorosa por jipinhos e ninguém faz ideia do que é crossover. Se buscar no tradutor, descobrirá que significa cruzamento.

Mas com a linha 2020, encabeçada pela versão turbo automática, a Peugeot reviu opinião e resolveu assumir o 2008 como SUV. Para isso, ela se baseou em conceitos técnicos, como reposicionamento do capô, mais elevado e ângulo de ataque igual ou acima de 23°, altura livre superior a 20 centímetros (cm) e ângulo de saída igual ou superior a 20°, que atendem às normas do Inmetro.

O problema é que, sendo chamado de SUV ou não, as vendas do 2008 tiveram retração em 2019. Segundo a Fenabrave, no acumulado entre janeiro e setembro deste ano, o jipinho do leão anotou 6.288 unidades emplacadas. No mesmo período de 2018, o volume era de 7.034. Ou seja, uma queda de quase 11%.

Raio-x Peugeot 2008 Griffe 1.6 AT6

O que é?
Utilitário-esportivo (SUV) compacto, de cinco lugares.

Onde é feito?
Produzido na unidade Porto Real (RJ).

Quanto custa?
R$ 89.990

Com quem concorre?
O 2008 concorre na faixa intermediária no segmento de jipinhos compactos, equipados com caixa automática. Seus rivais são: Chery Tiggo 5x 1.5 (R$ 86.990), Chevrolet Tracker LT 1.4 (R$ 94.890), Citroën C4 Cactus 1.6 (R$ 88.090), Ford EcoSport FreeStyle 1.5 (R$ 84.990), Jeep Renegade Sport 1.8 (R$ 89.990), Honda HR-V LX 1.8 (R$ 94.400), Hyundai Creta Pulse Plus 1.6 (R$ 92.990), Nissan Kicks SV 1.6 (R$ 92.790), Renault Captur Intense 1.6 (R$ 91.740), Volkswagen T-Cross 200 TSI 1.0 (R$ 94.490).

No dia a dia
O 2008 é um automóvel urbano familiar nato. Na cidade, o jipinho oferece bom comportamento devido ao bom conjunto mecânico. A posição de dirigir elevada garante boa visibilidade. 

O espaço interno agrada bastante e o utilitário transporta quatro adultos com bom conforto. No assento do meio, apenas crianças viajam bem. O bagageiro de 402 litros está acima da média da categoria. Chama atenção a qualidade do acabamento e montagem, que é bem mais refinada que a do primo C4 Cactus.

A lista de conteúdos da versão também agrada. O modelo conta com direção elétrica, ar-condicionado digital, multimídia (câmera de ré, conexão Apple CarPlay e Android Auto, USB e Bluetooth). O 2008 ainda oferece controle retrovisores elétricos e bancos parcialmente revestidos em couro.

Motor e transmissão
O motor 1.6 de 118 cv e 16,1 mkf de torque está longe de ser o mais vigoroso da categoria, mas tem funcionamento suave e silencioso. A caixa automática de seis marchas é a mesma que equipa a futura versão turbo e tem bom escalonamento, que contribui para boa eficiência.

Como bebe?
Abastecido com gasolina, 2008 registrou média urbana na casa de 10,1 km/l. 

Suspensão e freios
O 2008 tem acerto de suspensão macio e conta com o conjunto com sistema McPherson (dianteira), e o eixo de torção (traseira) oferece bom conforto. Os freios utilizam discos nas quatro rodas. 

Palavra final
O 2008 é um jipinho que mereceria melhor reconhecimento. Trata-se de um carro muito confortável, com ótimo isolamento acústico e pacote de conteúdos farto. 

O que pesa contra o leão ainda é o receio do consumidor, problema que a fabricante tenta combater com planos de manutenção com preço fechado, capacitação de oficinas fora da rede assistencial e outras medidas para encorajar o consumidor.