O Volkswagen Gol é um carro espartano, para não chamá-lo de paupérrimo. Por outro lado, o Golf é um automóvel extremamente qualificado. O primeiro orbita na base da gama da VW, entre R$ 44 mil e R$ 50 mil, enquanto o segundo flutua no imaginário do consumidor, já que não sai por menos de R$ 80 mil. E nesse imenso hiato reside o Polo.

O Gol foi líder de vendas no Brasil por quase 30 anos por ser um automóvel resistente, ter preço acessível e baixo custo de manutenção. Já o Golf continua sendo o carro mais vendido da Europa (quase meio milhão de unidades em 2017) por associar espaço, conforto e motorização eficiente, dentre outros predicados. Na Europa o Polo é um Golf em escala, para o consumidor que busca algo mais em conta. Vendeu só no Velho Mundo nada menos que 255 mil unidades no ano passado.

O Polo é um projeto moderno, lançado praticamente junto com a versão europeia e conta com plataforma modular MQB (que pode espichar ou encolher de acordo com o modelo), o que lhe garantiu bom espaço interno e também para bagagem. A grande vedete do hatch é o motor turbo três cilindros TSI 1.0 de 128 cv e 20 mkgf de torque, que faz dele um carro ágil e econômico. A unidade é inclusive três cavalos mais potente do que a que equipa o Golf de entrada, aquele de 80 mil pratas.

Testamos a versão Comfortline 200 TSI, que impressiona pelo bom comportamento do motor e também pela transmissão automática de seis marchas. A unidade avaliada ainda conta com o máximo de equipamentos disponíveis para a versão, e recursos como partida sem chave, ar-condicionado digital (de apenas uma zona) e multimídia com conexões Apple CarPlay e Android Auto nos fazem nos sentir num Golf. 

Mas basta trabalhar o sentido do tato para saber que há um ranço forte de Gol no Polo. O acabamento é muito pobre, com plásticos duros por todos os cantos. Couro? Somente no volante e no acabamento da alavanca da transmissão. Quem quiser bancos mais elegantes terá que recorrer ao setor de acessórios. 

Para um automóvel avaliado em quase R$ 71 mil, careceria de um pouco mais de refinamento. Isso porque no mercado brasileiro ele é listado como “compacto premium” e não apenas como compacto, como é feito lá fora. São as distorções do mercado nacional, que tenta colocar carroceria semelhantes em balaios diferentes. Daí, tem-se uma expectativa de maior sofisticação no acabamento e montagem. 

Raio-x Volkswagen Polo Comfortiline TSI 200 1.0

O que é?
Hatch compacto, quatro portas e cinco lugares.

Onde é feito?
Fabricado na planta de São Bernardo do Campo (SP).

Quanto custa?
Base: R$ 67.150
Testado: R$ 70.650

Com quem concorre?
O Polo Comfortline se posiciona entre hatches compactos que dispensam caixa manual. Seus concorrentes são Chevrolet Onix LTZ 1.4 AT6 (R$ 63.790), Citroën C3 Exclusive 1.6 AT6 (R$ 65.490), Fiat Argo Precision 1.8 AT6 (R$ 68.290), Ford Fiesta SEL Style EcoBoost AT (R$ 69.790), Hyundai HB20 Premium 1.6 AT6 (67.650) e Peugeot 208 Griffe 1.6 AT6 (R$ 70.490).

No dia a dia
O Polo é um automóvel exemplar no uso cotidiano. A versão Comfortline equipada com o pacote Tech II oferece muita comodidade a bordo, com recursos como acendimento automático dos faróis e limpadores do para-brisas, monitoramento de pressão dos pneus, câmera de ré, sensores dianteiros e traseiros que facilitam a vida no trânsito. 

A posição de dirigir é baixa, típica dos VW, mas há regulagem de altura do banco. A visibilidade é boa e a coluna C não atrapalha tanto a visão como no Golf. O espaço também é satisfatório para quatro adultos, assim como o compartimento de bagagem acomoda razoáveis 300 litros. 

O que pesa no Polo é o acabamento. Mesmo que a transmissão automática com borboletas no volante, o botão da ignição e o ar-condicionado digital valorizem o ambiente, a qualidade dos plásticos é muito rudimentar, o que é evidenciado pelo lay-out conservador do painel.

Motor e transmissão
O motor três cilindros turbo TSI 1.0 de 128 cv e 20 mkgf de torque é a cereja do bolo do Polo. A unidade oferece comportamento de um motor 2.0 aspirado, com a vantagem de entregar muito torque em baixa rotação. Ele é tão valente que no trânsito não se pode bobear com o pedal do freio, pois até na subida ele tende a avançar. A transmissão automática de seis marchas é a mesma que equipa Golf e Audi A3 Sedan e tem respostas rápidas e muito suaves.

Como bebe?
Abastecido com gasolina, ele registrou média de 11,3 km/l no combinado entre trajeto urbano e rodoviário.

Suspensão e freios
A suspensão do hatch alemão segue a configuração convencional do mercado, com eixo rígido na traseira e independente McPherson na frente. O acerto privilegia a estabilidade e é muito firme. Em pisos irregulares, ele não se preocupa em maltratar quem está a bordo. Pessoalmente prefiro ajustes mais firmes, mas a longo prazo pode se tornar bastante incômodo.<EM>

Os freios são a disco nas quatro rodas e respondem com muita eficiência. Além disso, a versão conta com controle de estabilidade (ESP) e freios pós-colisão (que imobilizam as rodas em caso de acidente, para o carro não se deslocar involuntariamente).

Pontos positivos
Consumo
Desempenho
Motor e câmbio
Isolamento acústico

Pontos negativos
Acabamento
Suspensão muito dura