O estande da Volkswagen no Salão do Automóvel de São Paulo estava apinhado de novidades interessantes, como a picape Tarok, o novíssimo T-Cross, o elétrico ID.3 e o Polo GTS Concept. Claro que o GTS dividiu as atenções com a picape, prometida para brigar com Fiat Toro, mas o hatch foi a estrela do estande.

 

Isso porque o GTS remete ao saudosismo de uma das versões mais famosas do Gol, lançada na segunda metade dos anos 1980. Há 30 anos o Gol GTS era o carro de sonho, com seu visual apimentado e comportamento esportivo.

O Polo GTS, sejamos francos, não é tão rebelde como seu ancestral. O Gol tinha faróis auxiliares destacados, aerofólio, molduras laterais e suas famosas rodas tipo gota. Já o Polo GTS é mais comedido. Ele se diferencia pelas ponteiras duplas do escapamento, pelo spoiler maior e as grandes rodas aro 18.

Por dentro, o GTS também tem uma pegada esportiva, mas esqueça os bancos Recaro do antigo Gol. Os bancos são legais, com as laterais que abraçam o motorista, assim como a inscrição da versão e detalhes em vermelho pelo interior, como esportivo da Velha Guarda.

Mas a cereja do bolo do GTS está sob o capô. Esse carro conta com a unidade TSI 250 1.4 turbo de 150 cv e 25 kgfm de torque, combinado com transmissão de seis marchas. Trata-se do motor do Jetta, Tiguan AllSpace, T-Cross (na versão Highline) e também do futuro Taos, que chega por agora.

Acontece que no Polo esse motor mais que sobra. Ele é o compacto nacional mais potente do mercado, junto do Sandero R.S. Por outro lado, ele não tem a mesma pegada do colega francês. Isso porque a VW adotou uma solução semelhante ao que a Fiat aplicou na dupla Argo e Cronos HTG, que foi manter o conjunto de suspensão inalterado.

Além de reduzir custos, pois desenvolver uma suspensão esportiva para o carrinho encareceria (ainda mais) o preço final, o carro mais firme perderia em conforto. E o cara que compra o Polo GTS é aquele sujeito que busca esportividade, mas ainda não pode se dar ao luxo de ter um Mini Cooper JCW para brincar e uma opção mais “macia” para o dia a dia.


Raio-X Volkswagen Polo GTS 1.4

O que é?
Hatch compacto, com quatro portas e cinco lugares.

Onde é feito?
Fabricado na unidade Anchieta (SP)

Quanto custa?
R$ 114.890

Com quem concorre?
O Polo GTS briga no segmento de compactos com apelo esportivo, onde figuram Onix RS, HB20 Sport, mas os modelos que mais se aproximam em potência são Argo HGT e Sandero R.S.

No dia a dia
O Polo GTS não difere muito do comportamento das demais versões, principalmente da Highline. Apesar de sua proposta esportiva, a versão não compromete o conforto e nem a praticidade para o uso cotidiano. Basta acionar o modo Eco, no seletor dinâmico, que ele se comporta como um compacto trivial.

O visual esportivo se impõe na multidão, apesar de não ser uma decoração espalhafatosa. O que chama atenção são as rodas, visivelmente maiores, assim como o emblema GTS na grade.

O pacote de conteúdo é farto, com direito a quadro de instrumentos digital, partida sem chave, multimídia (com Apple CarPlay, Android Auto, câmera de ré, GPS integrado e leitor de discos no porta-luvas), sistema de áudio Beats, ar-condicionado digital (com saídas para assentos traseiros), retrovisores elétricos (sem rebatimento), dentre outras mordomias. 

Motor e transmissão
A unidade TSI 250 1.4 de 150 cv e 25 mkgf de torque é um motor exemplar. Quando testamos o T-Cross Highline, ele impressionou muito e nos fez imaginar como se comportaria no Polo e Virtus. Entrega todo seu vigor em baixas rotações, o que faz dele um carro arisco, que arranca forte não titubeia nas ultrapassagens. A transmissão automática de seis marchas tem trocas rápidas e sempre privilegia a eficiência. 

Para acentuar a esportividade, as borboletas fazem desse carro um verdadeiro brinquedo. Comportamento do conjunto mecânico pode ser ajustado com o setor de condução que tem quatro modos, com opção mais econômica e esportiva, modo que conta com emulador de ruído, que mexe com a libido do “piloto”, sem incomodar a vizinhança.

Como bebe?
Abastecido com álcool, registrou média de 9,0 km/l no combinado entre trajeto urbano e rodoviário - com o modo esportivo ligado e sem poupar o pedal da direita.

Suspensão e freios
A suspensão é o ponto a ser comentado. Segue a configuração convencional do mercado, com eixo rígido na traseira e independente McPherson na frente, mas ganhou amortecedores recalibrados. O acerto privilegia a estabilidade e é firme, mas não difere tanto das demais versões. 

Assim como no Virtus GTS, o que incomoda é que o carro ficou mais alto devido as rodas de maior diâmetro. Pessoalmente, acho que deveria ser um pouco mais baixa para melhorar o comportamento dinâmico. Mas são ajustes que poderiam comprometer o conforto e a praticidade do uso cotidiano, além de encarecer mais o preço. 

Os freios são a disco nas quatro rodas e respondem com muita eficiência. Além disso, a versão conta com controle de estabilidade (ESP) e freios pós-colisão (que imobilizam as rodas em caso de acidente, para o carro não se deslocar involuntariamente).

Palavra final
Num mercado em que sempre predominaram os chamados “esportivados”, o Polo GTS se oferece uma opção que realmente entrega isso. Seu conjunto mecânico não é o mais purista, porém é muito sofisticado e garante muita diversão. Me serviria, numa boa.