Na década de 1980, ter uma picape era sinônimo de prestígio. Afinal, naquela época o carro mais bacana do mercado era o Chevolet Opala. Assim, ter uma D20 ou F1000 era o máximo. Com a abertura das importações chegaram as picapes médias, que botaram fim às antigas, de três lugares, e se tornaram mais acessíveis. 

No entanto, ter uma picape hoje não é tão diferente de como era há 30 anos. Esses carros encareceram de forma acelerada. Um exemplo é a Ford Ranger Storm. A versão esportiva do utilitário do Oval Azul estreou em primeiro de abril por R$ 151 mil. 

 

Ela foi um dos primeiros modelos a serem lançados na quarantena e tinha como proposta oferecer todo o vigor do motor 3.2 Duratorq, mas sem os refinamentos das versões mais sofisticadas, XLT e Limited.

Mas em menos de seis meses a Storm encareceu R$ 30 mil. Foi uma acréscimo de 20%, que parece que o carro comprado com sacas de arroz. Fato é que a Ranger sofre o impacto do dólar. O utilitário é fabricado na unidade de Coronel Pacheco, na região metropolitana de Buenos Aires. E a transação entre as duas filiais é feita com as verdinhas do Tio Sam.

Assim, a Ranger é uma prova de nossa volta no tempo. Numa época em que picape era um luxo de endinheirados. Mas não se trata de uma realidade apenas dela. Suas rivais também estão custando os olhos da cara. 

Mas falando do carro em si, a Storm é uma picape com a filosofia da Frontier Attack. São modelos que oferecem conjunto mecânico muito robusto, com combinação de motor diesel, caixa automática e tração 4x4, além de um pacote básico de conteúdos. 

Visual
A Storm tem rodas pintadas de preto, novíssimos pneus Pirelli Scorpion (40% on-road e 60% off-road), adesivos no capô, estribos, santo-antônio com barras longitudinais, capota marítima e também pode receber coletor de ar suspenso, do tipo snorkel (vendido como acessório).

Há seis meses seria uma excelente opção para quem buscava um carro com muito torque e potência. Mas ficou cara demais.

Raio-x Ford Ranger Storm 3.2 4x4

O QUE É?

Picape média, quatro portas e cinco lugares.

ONDE É FEITO?
Fabricado na unidade Coronel Pacheco (Argentina).

QUANTO CUSTA?
R$ 180.390

COM QUEM CONCORRE?
A Storm tem como concorrente direta a Nissan Frontir Attack, assim como a Toyota Hilux GR Sport, que têm apelo esportivo

NO DIA A DIA
A Ranger Storm é um carro pensado para o uso aventureiro. Tem pneus de uso todo terreno, com foco no off-road, o que reduz seu conforto significativamente no asfalto, pois patina muito e gera muito ruído.

Seu pacote de conteúdos é mais que trivial: direção assistida, ar-condicionado digital, multimídia com conexão para smartphones, câmera de ré, duas portas USB e um nostálgico CD Player. Ela ainda conta com retrovisores e vidros elétricos.

No entanto, abre mão de sofisticações como bancos em couro, partida sem chave, acendimento automático dos faróis, sensores de chuva demais recursos que fazem parte das versões mais garbosa. Também desconhece qualquer tipo de assistente de condução.

Ela também abre mão de alguns recursos como proteção de caçamba e capota marítima. Itens que são fundamentais para proteger a pintura e também para permitir levar bagagens como malas e outros objetos que não podem ficar expostos ao clima e aos amigos do alheio.

Como já foi dito, a Storm não gosta da cidade. Ela é grande ocupa espaço nas faixas. Seu negócio e a estrada. E fora da estrada é que ela se encontra. Na terra os pneus justificam sua existência. Ela tem muito aderência e o motor Durtorq não a deixa refugar

MOTOR E TRANSMISSÃO
A unidade 3.2 de 200 cv e 47,9 mkgf de torque oferece um comportamento muito bruto para essa picape. Já a caixa automática de seis marchas tem relações que privilegiam o torque em marchas curtas e relação longa em sexta para velocidades de cruzeiro em baixa rotação. 

Com o seletor de tração posicionado no modo 4x4 reduzido garante torque e tração para encarar terrenos de baixa aderência e acidentados.

COMO BEBE?
A média de consumo no percurso urbano foi de 7,0 km/l e rodoviário na casa de 9,5 km/l, com tração 4x2. 

SUSPENSÃO E FREIOS
A suspensão segue o padrão de qualquer utilitário com caçamba para carga, muito dura na traseira, que reflete no conforto de quem viaja principalmente no banco traseiro. 

Já os freios carecem atenção, como em qualquer picape. Mesmo com suporte do ABS, o peso do veículo dificulta a frenagem, que demanda muito espaço para chegar à imobilidade. A versão conta com ESP e assistente de partida em rampa.

PALAVRA FINAL
A Ranger Storm é um grande barato. Tão legal quanto a Frontier Attack. Ela abre mão de firulas para entregar o que há de melhor que é seu conjunto mecânico chefiado pelo valente Duratorq 3.2. O grande senão é a escalada de preços, mas trata-se de uma consequência da instabilidade econômica brasileira e não do carro em si.