A Fiat lançou há uma semana a nova geração da Strada. E no mesmo dia retiramos a versão de entrada, com carroceria cabine dupla, para testes. A Strada Endurance 1.4 é ofertada por R$ 75 mil. São R$ 5 mil a menos que a versão topo de linha Volcano e com um pacote de conteúdos que deixa muito a desejar. Assim, se o amigo perguntar se é um bom negócio investir nesse carro, a resposta será: depende!

 

Essa versão da Strada foi desenvolvida com foco no trabalho. Trata-se de um carro que atende às necessidades de quem precisa carregar carga pesada na caçamba, mas também precisa transportar equipe. Para empresas de mineração, companhias telefônicas, saneamento básico, ela cai como uma luva. É o chamado público Work, segundo a montadora.

Questionamentos

Em nosso vídeo, do primeiro contato com a Strada, alguns espectadores questionaram o porquê de a Fiat insistir com o velho motor 1.4 que tem menos cavalaria e torque que o Firefly. Simples: o motor Fire 1.4 de 88 cv, que tem manutenção barata, é bem quisto nas rodas de mecânicos, pois é fácil de se trabalhar.

Além disso, é um motor que não demanda tanto carinho como o moderno 1.3 de 109 cv. Ele funciona até com óleo de pastelaria (mentira, é só uma metáfora). E outra coisa, é mais barato de produzir. Ou seja, a Fiat recolhe um bom troco com ele.

Visualmente a versão não empolga pela simplicidade do acabamento, dentro e fora. Afinal, é um carro para a lida e não para o lazer. Assim, ela surge como opção funcional. Esse carro é decorado com feias rodas de aço, um para-choque preto fosco, sem direito a santo-antônio ou qualquer outro enfeite. É perfeito quando não se pode ter dó do carro. A versão existe para transportar a equipe antes e depois da tarefa, quando os bancos simples estarão imundos.

Sem carinho

As rodas estampadas não empenam tão facilmente na buraqueira e não doem na carne quando arranham. Assim como os para-choques. Na caçamba, o suporte de escada está presente. É um carro para apoiar peso, ferramentas pesadas.

Sendo assim, se o amigo for um empreiteiro, fazendeiro, ou qualquer profissional que precise transportar seu time e suas ferramentas, essa Strada irá te atender. Agora se o amigo quer um carro para ficar bem na foto, passear com a família, namorada, não pense duas vezes e escolha a Volcano, pois o amigo está na categoria Play.

Isso porque quando se equipa a Endurance com todos os opcionais disponíveis (que não incluem rodas de liga leve, santo-antônio ou para-choques pintados) ela tem preço final superior à opção de entrada da Volcano, chegando a quase R$ 84 mil. Então, esqueça a Endurance, ignore a Freedom e concentra na topo de linha.

Pois esse bezerro aqui não é para exposição, mas para puxar o carro.

Raio-x Fiat Strada Endurance 1.4 CD

O que é?
Picape leve, cabine dupla, quatro portas e cinco lugares

Onde é feita?
Fabricada na unidade da FCA, em Betim (MG)

Quanto custa?
Entrada: R$ 74.990
Testada: R$ 83.490

Com quem concorre?
A Strada cabine dupla concorre apenas com a Saveiro cabine dupla e com a Renault Duster Oroch, em suas versões de entrada.

No dia a dia?
A Strada Endurance cabine dupla se comporta como um carro popular, mas com acréscimo da caçamba. No trânsito urbano ela se desloca com mais facilidade que a Toro, graças às medidas equivalentes a de um sedã. Com 4,48 metros de comprimento, é 12 cm maior que o Cronos.

Se por fora ela é simples, por dentro não é diferente. Esse carro foi projetado para o trabalho. Assim todo revestimento de portas e painéis é em plástico duro. O quadro de instrumentos de Mobi deixa clara a razão de a Strada existir. De série, ela conta basicamente com direção hidráulica e ar-condicionado.

No entanto, a versão testada está equipada com opcionais que adicionam vidros elétricos nas quatro portas, multimídia Uconnect (com conexão sem fio para Apple CarPlay e Android Auto, além de câmera de ré), computador de bordo em TFT, sensor de estacionamento, calotas plásticas que acrescem mais comodidade e conforto.

Mas o trunfo do carro está na cabine dupla, as quatro portas e cinco lugares. Acessar a segunda fileira ficou tão fácil como em qualquer automóvel. Quem viaja atrás tem mais espaço que na geração anterior e o ângulo do encosto é mais confortável. Já a posição de dirigir é elevada e garante boa visibilidade. No entanto, a traseira ficou muito alta (para elevar o volume de carga). A câmera de ré é um bom investimento. Na pior da hipóteses não despreze o sensor de ré.

Motor e câmbio
A Endurance é a única opção cabine dupla com motor Fire EVO 1.4 de 88 cv e 12,5 mkgf de torque. Esse motor está longe de garantir vigor atlético à picape. Por outro lado é funcional para quem usa a picape profissionalmente. A manutenção barata reduz seu custo operacional.

Já a transmissão manual de cinco marchas é padrão em toda gama, com os mesmos engates imprecisos de sempre. Mas é preciso reconhecer que, na versão testada, o trambulador se mostrou mais firme que de praxe.

Consumo
Abastecida com álcool, registrou consumo combinado (rodoviário e urbano) na casa dos 10,3 km/l, sem carga.

Suspensão e freios
A Strada não se tornou líder de vendas por ser macia. Na verdade é líder porque tem, literalmente, suspensão de caminhão. O conjunto traseiro com feixe de molas e eixo rígido segue lá como na geração passada e na Fiorino Pick-Up. Mas ela conta com batentes graúdos que ajudam a absorver os impactos quando os amortecedores chegam ao final do curso. Na frente, o trivial McPherson.

Os freios são a disco, na frente, e tambor, na traseira. Ela ainda conta com controles de estabilidade e tração, além de assistente de partida em rampa (Hill Holder). Ela ainda com bloqueio de diferencial eletrônico.

Palavra final
A Strada resolveu seu grande Calcanhar de Aquiles que era a cabine dupla e capacidade para cinco ocupantes. A versão Endurance não serve de parâmetros de refinamento, pois trata-se de um carro para trabalho, pensado para frotas de empresas, fazendeiros e quem depende de uma caçamba para seu negócio. Mas a primeira impressão foi boa. Mas como já foi dito antes, se for para o lazer, que seja a Volcano.