SÃO PAULO (SP) – Todo mundo conhece aquela história de que quando os japoneses resolveram fabricar carros, americanos e europeus deram risadas. Pois eles não só fizeram como se tornaram líderes globais. Depois vieram os sul-coreanos e bem mais rápido se consolidaram como potência do setor automotivo. Há uns 15 anos os chineses entraram na roda com um monte de porcarias. Todo mundo riu mais uma vez. Hoje, a indústria olha para eles com um certo pavor devido à velocidade com que avançam no mercado e como conquistaram know-how.

No Brasil, os japoneses chegaram como carros de luxo, os coreanos construíram a própria imagem e agora os chineses também querem provar que podem ser tão refinados quanto os pares de continente.

E na ponta da lança está a Chery, que acaba de lançar o Tiggo 7, utilitário-esportivo (SUV) que parte de R$ 106.990. Ele chega para disputar mercado num degrau dominado pelo Jeep Compass, seguido por utilitários com Volkswagen Tiguan, Chevrolet Equinox e Kia Sportage. A versão topo de linha é oferecida por R$ 116.990.

A marca que passou a ser controlada pela Caoa, desde novembro de 2017, quer ganhar mercado. Segundo os executivos, o plano não é fazer grandes volumes, mas oferecer um portfólio de maior valor agregado. Uma estratégia recente de acordo com o histórico das chinesas que tentaram conquistar o público pelo preço e não pelo refinamento. 

Para a Chery, o caminho é trilhado pelos jipinhos. Com o Tiggo 7, a marca passa a preencher uma faixa de preços entre R$ 60 mil e R$ 120 mil. De acordo com o gerente de marketing da marca, Henrique Sampaio, a meta não é vender apenas carros baratos. “Esse carro não é barato, mas é competitivo”, afirma o executivo, comparando o modelo a concorrentes como Compass e Kia Sportage.

Fabricado em Anápolis (GO), ele é o quinto modelo do portfólio da marca chinesa, que espera fechar o ano com 110 pontos de venda no país. Com 0,5% de mercado em 2018, quer terminar o primeiro trimestre com 0,7% do mercado. Para este ano, a meta é chegar a 40 mil carros fabricados, sendo 22 mil na planta de Jacareí (SP) e 18 mil na unidade de Goiás, onde também são montados modelos Hyundai.

Conteúdos
O Tiggo 7 chega com muitos conteúdos vistos no Tiggo 5x, mas com um porte mais robusto. O jipinho tem montagem caprichada e bom nível de acabamento. Materiais emborrachados não foram poupados, assim como uso de couro nos bancos, volante e também no painel de instrumentos e nas portas. 

A cesta de conteúdos também não decepciona. O Tiggo 7 conta com direção elétrica, partida sem chave, quadro de instrumentos com tela que projeta velocímetro e demais funções de leitura. Ainda conta com ar-condicionado digital de duas zonas, teto solar panorâmico e multimídia de nove polegadas. 

Ao volante
O Tiggo 7 é equipado com motor 1.5 turbo de 150 cv e 21,4 mkgf, combinado com uma transmissão de dupla embreagem e seis marchas. O comportamento está longe de colocá-lo como referência em esportividade, mas não decepciona. 

Por outro lado, se mostrou eficiente. No teste de pouco mais de 300 quilômetros, registrou 9 km/l, abastecido com álcool, num combinado entre trajeto urbano e rodoviário. 

Manutenção
Segundo os executivos, os custo médio da cesta de peças de reposição fica abaixo dos R$ 500, enquanto a do Compass gira em torno de R$ 700, de acordo com o levantamento deles. 

Já na “manutenção corretiva” (nome agradável para uma colisão), a Chery garante reparação média em torno de R$ 5 mil, enquanto o líder demanda um investimento de R$ 15 mil. 

Tomara que seja verdade, pois o que firma uma marca na praça não é o toque macio, mas o pós-venda!