A Caoa tem intensificado suas operações com a Chery e acaba de lançar o Tiggo 8, jipão de sete lugares que será fabricado na unidade da empresa em Anápolis (GO), em regime CKD (com kits vindos da matriz, na China), com preço promocional de R$ 156.900. A marca não dá detalhes de por quanto tempo manterá esse preço, mas seu valor cheio é de R$ 168 mil. 

Em três anos de casamento com a fabricante mandarim, o SUV é o sexto produto sob a batuta do grupo. Trata-se de uma estratégia para manter a capacidade instalada da planta elevada, sem ficar dependente da relação com Hyundai. As duas empresas tiveram uma crise conjugal em 2018, o que mostrou ao grupo brasileiro que monogamia nem sempre é a melhor opção num namoro industrial. 

 

Deixando as manobras fabris de lado, o Tiggo 8 estreia para ser o topo de linha da marca. Seu principal diferencial é a capacidade para sete ocupantes, segmento onde há poucos representantes no mercado, como o Mitsubishi Outlander e Volkswagen Tiguan AllSpace. No entanto, vale lembrar que a Jeep trabalha em uma versão de sete lugares atender a demanda de quem tem famílias grandes. 

Por hora, o chinês se mostra mais competitivo, pois o japonês custa R$ 216 mil, e o alemão parte de R$ 171.650 com os bancos extras. Mas o chinês também se apresenta como um forte concorrente para seu conterrâneo, Ford Territory, que foi lançado na semana passada. Os dois contam com conteúdos de conveniência e padrão de acabamento bem parelhos. 

No entanto, o Chery deixa a desejar pela ausência de assistentes de condução, ainda mais para um automóvel que se apresenta como opção familiar. Ele não oferece nada, nem mesmo alerta de colisão ou frenagem emergencial (que amplifica a carga na iminência de colisão), que poderiam ampliar a segurança do modelo. Controle de Cruzeiro Adaptativo (ACC), assim como monitores de faixa são ficção no Chery. Ele só oferece o que é exigido por lei como controles de tração e estabilidade, Isofix, bolsas infláveis e sensor de ponto cego.

Design

Bonitão, o Tiggo 8 tem desenho elegante. Mesmo que por via de regra um SUV’s de sete lugares tenha um desenho mais quadradão para acomodar a fileira extra, o chinês tem formas agradáveis. A seção frontal agrada pelo estilo agressivo do para-choque e faróis. Na traseira, as lanternas em LED compõem o visual com as ponteiras emolduradas no para-choque.

Motor

O SUV chinês estreia um inédito motor turbo 1.6 (com injeção direta) de 187 cv e 27 mkfg de torque, que roda apenas com gasolina. A marca explica que a eficiência do motor não exigiu a flexibilização para uso de etanol. Segundo ela, o modelo tem consumo de 9,8 km/l na cidade e 12 km/l na estrada.

Conversa para boi dormir. A verdade é que um carro com produção prevista de 300 unidades mensais não pagaria o custo do desenvolvimento para torná-lo flex. Seria necessário um volume muito superior a esse para convencer os chineses a enviarem o motor convertido para o Brasil. 

A unidade é combinada com uma a mesma caixa de dupla embreagem de sete marchas do Tiggo 5x e Tiggo 7. A Tração, por sua vez, é apenas dianteira, como é de praxe nos utilitários sem vocação para fora de estrada.

Por dentro

O interior do Tiggo 8 promete refinamento. Os executivos fizeram questão de pontuar a qualidade da montagem para desmistificar o senso comum de precariedade dos carros chineses. No entanto, ele entrega o que se exige um SUV de seu porte. Bancos em couro, apliques que imitam alumínio e painéis em “black piano”.

O jipão é equipado com quadro de instrumentos digital (idêntico que equipa o Territory), multimídia (com conexão para smartphone e câmera 360º), ar-condicionado digital (com função que permite acionamento remoto, com exaustor de calor e odores), teto solar panorâmico, partida sem chave e porta-malas elétrico.

Enfim, o Tiggo 8 mostra que a chinesa não quer brigar apenas na prateleira de baixo do mercado, mas ainda faltam conteúdos.