A Fiat Toro chegou em 2016 de olho no degrau de preços pouco explorado de picapes médias. Seu porte intermediário, carroceria monobloco e design moderno fizeram dela uma opção para quem busca um veículo utilitário mais próximo de um automóvel de passeio. A Fiat acertou em quase tudo, mas se atrapalhou na gama de motores e transmissões.

A versão de entrada, Freedom 1.8 flex, equipada com motor 1.8 de 139 cv (o mesmo do Bravo) e caixa automática de seis marchas, sofre para empurrar a caminhonete, enquanto as opções Freedom 2.0 turbodiesel pecam por não contar com caixa automática, apenas manual. Não que seja problema ter que debrear, mas acontece que o excelente motor de 170 cv não tem muita oferta de torque em baixa rotação, o que exige um tempo maior no pedal da embreagem ou mais pressão no acelerador. 

A primeira faz com que o disco esquente com rapidez e a segunda pode surpreender o motorista com uma aceleração abrupta que pode culminar em colisão. No entanto, se soltar a embreagem com agilidade e der pouca carga no acelerador, o motor apaga.
Daí a melhor opção seria a Volcano 2.0 turbodiesel 4x4, com caixa automática de nove marchas, que oferece força e comodidade em qualquer situação. O problema é que ela custa muito caro (R$ 128 mil) e esbarra em concorrentes mais parrudos.

Meio termo

No entanto, no final do ano passado a Fiat colocou no mercado uma versão equipada com o motor 2.4 de 186 cv (herdado do finado Freemont) e acoplado a moderníssima caixa de nove marchas da Volcano. A combinação impressiona, pois o Freemont era um verdadeiro “pudim de cachaça”. Era preciso relar o pé no acelerador com suavidade para fazer com que o jipão tivesse médias na faixa dos 10 km/l, na estrada e com gasolina, devido à antiquada caixa de quatro marchas. E nem a de seis velocidades conseguia torná-lo menos beberrão.

No entanto, na Toro, o conjunto motor registrou médias de 7,2 km/l, no trajeto misto, mas abastecido com álcool e o preço inicial ficou em R$ 98.730. São R$ 13 mil a mais que a opção 1.8 flex, mas vale cada real.

O que é?

Picape intermediária, quatro portas e cinco lugares.

Onde é feito?

Fabricada na unidade de Goiana (PE).

Quanto custa?

Básico - R$ 98.760 
Testado - R$ 115.354
Completo - R$ 119.445 

Com quem concorre?

A Fiat Toro orbita num segmento de porte intermediário entre as picapes leves e médias. Ao contrário das versões com motor turbodiesel que rivalizam com as médias por ter capacidade de carga de uma tonelada, a Flex suporta cerca de 650 quilos. Daí sua única concorrente direta é a Renault Duster Oroch 2.0 Dynamique que completa custa R$ 84.080.

No dia a dia

A Toro é uma picape que oferece comportamento de um automóvel de passeio. Sua plataforma herdada do Jeep Renegade contribui para a boa posição ao volante. 

Para usufruir da fartura de equipamentos é preciso por a mão no bolso, pois os pacotes de segurança e comodidade custam R$ 5.072 e 8.662, na ordem. No entanto, com todos os itens ela se torna um sedã de luxo com caçamba.

No uso cotidiano, o compartimento de carga só é útil se o consumidor tiver que transportar grandes volumes. No entanto, é pouco prático quando só se leva uma mala ou compras, já que não oferece a mesma proteção de um porta-malas. 

Motor e Transmissão

O motor 2.4 de 186 cv e 24,9 mkgf combinado com a transmissão de nove marchas deu vida nova à picape que ganhou em desempenho e eficiência. O que deixa a desejar é a tração dianteira, que compromete a tração quando se arranca numa ladeira com a caçamba cheia.

Como bebe?

A média de consumo no combinado entre trajeto urbano e rodoviário, com álcool, foi de 7,2 km/l.

Suspensão e freios

Apesar de não ser uma picape com capacidade de carga elevada, sua suspensão é muito firme, não tanto quanto numa picape com feixe de molas, mas é dura. O sistema de freio se destaca por oferecer assistente de partida em rampa (hill holder) casado com o controle de estabilidade (ESP) que torna as arrancadas mais seguras na subida.

Pontos positivos

- Consumo
- Desempenho
- Conforto

Ponto negativo

- Preço caro com todos opcionais