Um grupo de trabalhadores da Cemig realizou um ato, na manhã desta sexta-feira (11), na sede da empresa, na avenida Barbacena, bairro Santo Agostinho, contra a ameaça de privatização. De acordo com o Sindicato Intermunicipal dos Trabalhadores na Indústria Energética de Minas Gerais (Sindieletro-MG), as mobilizações estão apenas começando. 

Com cerca de 5.700 trabalhadores, a Cemig está incluída do pacote de privatizações que o governador Romeu Zema pretende fazer. Para o coordenador-geral do Sindieletro, Jefferson Silva, a medida coloca em risco os empregos e as condições de trabalho na estatal. 

"Nas empresas privadas, geralmente, os trabalhadores têm menos direitos, salários menores e há uma maior rotatividade dos postos de trabalho, o que não abona o setor. Até porque, o que garante que a Cemig seja uma referência é justamente a capacidade intelectual dos trabalhos e processos adquiridos no período laboral da empresa, há funcionários ali com décadas de experiência", conta. 

Além disso, segundo ele, a privatização trará uma incerteza sobre a garantia dos empregos. "Na administração privada, a estabilidade não existe", comenta, enfatizando que a privatização também ameaça a qualidade dos serviços prestados, a segurança do sistema elétrico e pode ocasionar até mesmo aumento nas tarifas praticadas no Estado. 

A partir da próxima semana, o sindicato inicia uma série de articulações com as representações sindicais de outras estatais para unir as forças e fazer pressão contra o pacote de privatizações. Estão previstas reuniões com os sindicatos dos Correios, dos petroleiros e da educação, além de mobilizações junto aos municípios e prefeitos. 

"Vamos chamar aliados para que eles possam levantar o debate em suas categorias sobre os riscos das privatizações", conclui Silva. Atualmente, o Estado detém 50,98% das ações ordinárias da Cemig. 

A assessoria da Cemig disse que não irá se manifestar sobre o assunto. A reportagem também encontrou em contato com a assessoria do governo e aguarda um posicionamento. 

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