A notícia de que só em 2018 começa a funcionar o primeiro trecho do transporte de passageiros sobre trilhos em Belo Horizonte, assim mesmo num trecho de apenas 12,4 quilômetros entre o Barreiro e Contagem, é desalentadora para quem precisa se locomover entre cidades, diariamente, enfrentando ônibus lotados e rodovias quase sempre congestionadas.
 
A expectativa parecia melhor em julho do ano passado. Na época, o governador Antonio Anastasia assinou acordo com a Agência Nacional de Transportes Terrestres e a Empresa de Planejamento e Logística, e foi anunciado que até início de 2014 seria lançado o edital de concorrência, para que linhas ferroviárias já existentes fossem utilizadas para o transporte de passageiros, viabilizando o Transporte sobre Trilhos Metropolitano (TREM).
 
O projeto da primeira linha, informou-se então, já estava em fase final de elaboração e ela estaria orçada em cerca de R$ 1,8 bilhão. Essa linha iria de Betim à região de Águas Claras, no Belvedere, em Belo Horizonte, passando por Contagem e Ibirité. Cerca de 150 mil pessoas poderiam embarcar ou descer em 21 estações, ao longo de 60 quilômetros de linha. 
 
Surpreende, portanto, a notícia publicada nesta quinta-feira pelo Hoje em Dia. Além de modestos, esses 12,4 quilômetros dependem ainda da modelagem da Parceria Público-Privada (PPP), em elaboração pela Agência de Desenvolvimento da Região Metropolitana de Belo Horizonte, a ser apresentada ao governador Alberto Pinto Coelho. Só no mês que vem deverá ser iniciada consulta pública. Se tudo der certo, a licitação será realizada no segundo semestre, para que as obras comecem em 2015. 
 
Esse trecho inicial faz parte da Linha A. Ela tem ao todo 57,5 quilômetros e não ficaria totalmente pronta antes de oito anos, quando ligaria Betim ao bairro Belvedere, em Belo Horizonte. A previsão de investimentos já aumentou para R$ 2 bilhões.
 
O projeto TREM prevê ainda uma Linha B, com investimentos de R$ 940 milhões e extensão de 36 quilômetros, entre o bairro do Horto, na Capital, e Raposos. E também a Linha C, de quase 86 quilômetros, indo do Horto a Sete Lagoas. Os trens dessa linha poderiam transportar 100 mil passageiros por dia, entre eles usuários do Aeroporto Tancredo Neves, em Confins. É um empreendimento calculado em R$ 2,9 bilhões e com término previsto para daqui a 12 anos. 
 
Além das dificuldades já observadas no projeto TREM, o governo terá que motivar algum grupo de empresários a arriscar tanto dinheiro numa PPP. O que se pretende é que haja um único operador das três linhas, para que a mais compense a menos lucrativa. 
 
O certo, por agora, é que os trens de passageiros serão cada vez mais necessários na Região Metropolitana. Já estão com grande atraso, mas continua válido o antigo adágio: “Mineiro não perde o trem”.