San Carlos de Bariloche – ou simplesmente Bariloche –, na Patagônia argentina, é o mais popular destino de inverno dos brasileiros que buscam neve e esqui. A alta temporada, para nós, já terminou com o fim das férias escolares de julho. Mas para os argentinos, ela está no auge agora, com a vinda de muitos europeus e norte-americanos, e também dos próprios patrícios e vizinhos.

Ainda há muita neve na região de Bariloche. E o frio, claro, também é intenso, com temperaturas sempre variando entre 0 e 10 graus centígrados durante o dia, frequentemente caindo para 10 a 15 graus abaixo de zero no fim de tarde e à noite.

Durante o mês de julho, a pequena estância argentina recebe tantos brasileiros que acaba sendo chamada de “Brasiloche”, não sem uma certa dose de ironia, até mesmo de sarcasmo, diante da verdadeira invasão que turistas brasileiros fazem por lá. São centenas de ônibus rodando pela cidade, todos despejando milhares de pessoas nos pontos turísticos mais conhecidos (Cerro Catedral, Cerro Otto, Llao Llao, Circuito Chico e, claro, o Centro Cívico, coração da cidade.

Invasão de atletas

Um dos guias que nos levou a um passeio na região não escondeu sua preferência: “Nós gostamos muito dos turistas brasileiros, pois são parecidos conosco, são animados, divertidos, embora às vezes possam ser mais bagunçados. Mas ganhamos mais dinheiro em agosto e setembro, quando os americanos e europeus vêm para cá para esquiar, aproveitando as férias de verão deles”, confessou.

O mesmo guia revelou, também, que entre fins de agosto e início de setembro, a cidade recebe muitos integrantes de equipes de esportes de inverno da Europa e dos Estados Unidos, que aproveitam a ocasião para treinar.

Aliás, uma pequena “invasão” de atletas deverá ser notada em Bariloche neste fim de inverno. Afinal, as próximas olimpíadas de inverno já estão chegando – acontecem de 7 a 23 de fevereiro do próximo ano, em Sochi, na Rússia – e os picos patagônicos têm ótimas pistas para treinos.


Bariloche - as pistas de esqui - Turismo de Bariloche/DivulgaçãoAs pistas estão todas abertas, pois as condições de neve estão perfeitas para prática de esportes

 

 


Infraestrutura tem hotéis para todos os bolsos, além de uma boa gastronomia

Fundada em 1902, há anos Bariloche vem se aperfeiçoando e criando novas opções de turismo para todas as estações do ano. A cidade recebe por ano cerca de 700 mil turistas de várias partes do mundo. São quase 300 estabelecimentos para hospedagem, com hotéis de nível internacional, hosterias (pequenos hotéis com no máximo 15 apartamentos), cabanas e albergues juvenis.

A comida é outro destaque da Patagônia Andina. Em Bariloche existem cerca de 200 estabelecimentos, entre restaurantes de gastronomia internacional, parrillas (churrascarias), pubs, confeitarias (ah, os chocolates...) e casas de chá, acabam com qualquer regime. Truta, salmão, carnes de cervo e javali estão entre os pratos típicos da gastronomia regional, além do tradicional churrasco argentino.

Beber a tradicional cerveja argentina Quilmes é quase uma obrigação na viagem, mas outras marcas artesanais da região, como a Araucana, fabricada em El Bolsón, ao sul de Bariloche, dão um prazer à parte. Melhor ainda se estiver acompanhada de uma porção de cracas, aperitivo de queijo.

Para um lanche rápido, nada melhor que um “tostado”, que é o nosso misto quente.. Para os amantes do chocolate, cai bem provar “cubanitos” - rolinhos de waffer, semelhantes a um charuto, recheados com doce de leite com as pontas de chocolate.

Bariloche - Cerro Catedral - Paulo Leonardo/Hoje em Dia
Outro esporte muito praticado é o snowboard. Em qualquer uma das dezenas de pistas da região (como esta, no Cerro Catedral), a qualquer hora, tem gente descendo as montanhas

 

 

Beleza arrebatadora o ano todo

Um lugar místico, cercado por montanhas que são cobertas pela neve a partir do final de maio até início de outubro, já na primavera. Antes disso, o verde impera de ponta a ponta, mesmo nas áreas mais áridas. A Patagônia andina está em pleno inverno, com uma sensação térmica que chega a atingir até 15 graus negativos durante a madrugada.

San Carlos de Bariloche, ou simplesmente Bariloche, é o ponto de chegada (e, para muitos, o destino final) à Patagônia argentina, com suas montanhas (cerros) agora cobertas de neve (no verão, fica tudo verde, graças à abundante vegetação do Parque Nacional Nahuel Huapi). Nos cumes, neves eternas.

Quando o inverno acaba, muita gente pode pensar que o turismo em Bariloche acaba também. Nada disso. Esta é uma região sempre belíssima, de paisagens arrebatadoras, sejam elas cobertas de branco ou de verde (como na primavera e no verão).

Para quem gosta de uma caminhada, nada como percorrer a Avenida Bustillo, margeada pelo Lago Nahuel Huapi, que banha toda a cidade e onde estão os melhores hotéis.

Hotel de luxo

Destaque para o Llao Llao Hotel & Resort, Golf-Spa, no km 25, o famoso cinco estrelas da região, inaugurado em 1938, em madeira e pedra. O hotel sofreu um grande incêndio no ano seguinte, foi reconstruído e reinaugurado em 1940, funcionando até 1978. Durante 15 anos permaneceu fechado, até que, em 1993, foi transformado no que é hoje, atraindo milhares de turistas ricos e famosos que se encantam com sua estrutura física e pela beleza natural do parque que o cerca.

Outro de muito requinte é o El Casco Art Hotel, na mesma avenida, no km 15,5. Uma verdadeira galeria de arte, onde cada quarto é decorado com obras de artistas plásticos argentinos e recebe seu nome na porta. Estes, assim como outros hotéis da avenida, têm como principal vista as águas azuis do Lago Nahuel Huapi.

No passeio, vale conhecer a Catedral de Bariloche, com seus 69 metros de altura e uma belíssima arquitetura; a Galeria de Arte de Cerro Otto, localizado no complexo turístico Teleférico Cerro Otto; o Trem a Vapor de 1912; o Camping Musical Bariloche, que divulga a cultura musical; o Museu da Patagônia Francisco P. Moreno; e o Centro Cívico, construído em madeira.

A romântica e charmosa Villa La Angostura

A neve no inverno é o principal atrativo da região, fazendo com que ela seja “invadida” por visitantes nesta época do ano. Mas o turista que busca locais mais tranquilos e aconchegantes, não deve deixar de conhecer Villa La Angostura, a 83 quilômetros de Bariloche, cortada pelo belo Lago Correntoso, e Villa Traful, a 101 quilômetros, às margens do encantador Rio Pichi Traful e do Lago Traful.

De Bariloche para Villa La Angostura, o caminho é cercado por lagos e rios de águas azuis, montanhas e altas árvores ainda com folhas de variadas cores. Fundada em 1932, a cidade é um exemplo de respeito à natureza, principalmente na parte de construções, cuja regulamentação é rigorosa. Até mesmo a prática de esportes aquáticos como jet ski é proibida.



Bariloche bares - Paulo Leonardo/Hoje em DiaJovens vão em peso às cervejarias locais, como a Blest

 

 


Explorando a neve patagônica em grande estilo

O inverno no Cone Sul está no auge, e uma viagem que o brasileiro demorou a descobrir, mas agora que já conhece não se cansa de fazê-lo, é a travessia dos lagos andinos, do Chile à Argentina. Mais especificamente, de Puerto Montt ou Puerto Varas, no Chile, até San Carlos de Bariloche, no lado argentino. E neste período de muita neve, as estações de esqui, como Bariloche, estão em alta.

San Carlos de Bariloche, na Argentina, é o ponto final da travessia dos lagos. De Puerto Pañuelo, às margens do Lago Nahuel Huapi, até essa famosa estação de esqui, são poucos quilômetros.

Disneylândia na neve

Como tem jovens por aqui. No dia em que fomos, estávamos em plena temporada. O Cerro Catedral, que tem 2.400 metros de altura, tem as principais pistas.

Estava lotado de adolescentes e também de famílias - todos muito bem agasalhados e equipados, enquanto nós improvisávamos com o que tínhamos para não morrermos congelados lá no alto, com temperatura na faixa dos dois graus centígrados negativos, e sensação térmica de - 10 graus. E ainda nevou enquanto estávamos lá em cima.

Para apenas subir ao topo do Catedral, paga-se 30 pesos argentinos. Agora, se quiser esquiar (são 67 quilômetros de pistas), os valores para subir são: 45 pesos na baixa temporada, 66 na média, e 80 na alta.

A estação em si é muito bem equipada, parece uma pequena cidade, com bares, restaurantes, hotel, shopping. Para subir, pode escolher entre 38 meios de ascensão (teleféricos e bondinhos).

Há dois lugares para o esquiador parar, descansar, comer e, na sequência, voltar a esquiar: o Refúgio Punta Nevada, com uma ótima cafeteria, e o Refúgio Lynch, quase no topo.