A oscilação diária do dólar – que chegou a subir quase 30% entre abril e setembro – jogou um balde de água fria no setor de turismo, que previa crescimento na receita em 2018. Com o custo das viagens internacionais nas alturas, o mineiro migrou para os destinos domésticos ou reduziu em até 5 dias a estada em solo internacional, conforme levantamento realizado pelo Viajalá para o Hoje em Dia. 

“A oscilação impacta mais do que na alta, porque as pessoas ficam inseguras e mesmo quem tem dinheiro fica esperando para comprar. Acreditamos que depois das eleições haja uma melhora no cenário”, prevê o presidente da Associação Brasileira de Agências de Viagens em Minas Gerais (Abav-MG), José Maurício de Miranda Gomes. De acordo com ele, a expectativa agora é de, em um cenário otimista, empatar com o resultado do ano passado. Antes, a perspectiva era de crescimento modesto.

Sobe e desce

As variações da moeda norte-americana foram intensas. Em 3 de abril deste ano, o dólar estava em R$ 3,3139, conforme o Banco Central do Brasil (BCB), e em 7 de junho já batia R$ 3,9505, voltando para R$ 3,7054 seis dias depois, em 13 de junho. Com a aproximação das eleições, voltou a subir, saltando de R$ 4,0740 em 22 de agosto para R$ 4,1879 em 14 de setembro, uma elevação de 3%. Nessa terça, fechou em R$ 3,93. Vale destacar que entre 3 de abril e 14 de setembro, a moeda valorizou 26%.

“O dólar sobe um dia e cai no outro. O consumidor fica de mãos atadas e, para não ter surpresas no cartão de crédito ou durante a viagem, acaba optando por viagens dentro do país”, diz o presidente da Abav em Minas Gerais. 

Novo destino

Foi o que aconteceu com o empresário Dilson Silva Júnior. A viagem das próximas férias com a filha já estava programada para a Disney. Como os valores subiram muito, ele preferiu fazer um passeio para dentro do país. 

“Agora, estamos olhando uma viagem para as praias do Nordeste. Será muito arriscado viajar para o exterior com o dólar alto, pois os gastos lá fora sobem demais. Mas, assim que o dólar estabilizar, retornaremos com os planos de viajar para os Estados Unidos”, diz.

Na Master Turismo, com quatro unidades em Belo Horizonte e uma em Contagem, os clientes também têm deixado para fechar as viagens para os Estados Unidos depois das eleições. “Os consumidores têm optado pelas praias do Nordeste ou até mesmo pelos destinos da América do Sul, que são mais em conta e sofrem menos interferência do dólar”, diz a gestora de Lazer da empresa, Jordania Ramires Corrêa. 

Vale destacar que, mesmo com o dólar alto, alguns destinos do Brasil ficam mais caros do que viajar para fora. Há, ainda, quem opte pelas viagens para a Europa. “Proporcionalmente, o dólar subiu mais do que o euro. Por isso, algumas pessoas preferem investir um pouco mais e ir para o Velho Continente”, afirma a especialista. 

Como exemplo, ela cita o caso de um cliente que, recentemente, fechou um pacote de dez dias para França e Portugal. “Antes, a pessoa ficava mais tempo. Hoje, quem faz questão de ir para fora e não tem dinheiro sobrando tem que se adaptar”, diz.