Os dois principais aplicativos de mobilidade do país (Uber e 99) confirmaram, neste sábado (13), mudanças nas cobranças das tarifas para tentar amenizar o impacto dos sucessivos aumentos de combustível para os condutores parceiros. Motoristas que atuam nos serviços em Belo Horizonte, contudo, disseram ainda não ter registrado reajustes e desconfiam das medidas.

Em nota, a Uber informou que corrigiu em até 35% o repasse do valor das corridas para os motoristas, mas que isso não significará encarecimento de corridas para usuários.

Já a 99 aumentou o percentual que os motoristas recebem em cada corrida, mas informou que o repasse para os usuários será entre 10% e 25%.

A presidente do Sindicato dos Condutores de Veículos que Utilizam Aplicativos do Estado de Minas Gerais (Sicovapp), Simone Almeira, diz que, até o início desta tarde, pelo menos, a categoria não verificou nenhuma alteração no valor creditado nas corridas.

“Esse repasse, muitas vezes, é fake, e em 80% das corridas não existe”, conta a presidente da entidade, que também é motorista parceria de ambos os aplicativos.

Corridas negadas

Em Belo Horizonte, em razão dos seguidos aumentos dos combustíveis, que estariam onerando os custos para rodagem - há quem diga que só a gasolina ou o etanol consomem 50% dos ganhos -, muitos motoristas de APPs deixaram de atender corridas curtas, porque não compensariam.

Simone Almeida revela que, além de ter de fazer, em média, um deslocamento de cerca de 2km não remunerado para chegar ao usuário, o motorista passou, recentemente, a receber R$5,53 por corridas mínimas, e não R$ 5, como antes. Mas esse valor, afirma ela, fica abaixo do cobrado por um litro de gasolina, por exemplo. Apenas os condutores que têm carro movido a gás ainda estariam aceitando trajetos menores.

Carros indisponíveis

Desde que houve em BH a flexibilização das atividades consideradas não essenciais e a reabertura do comércio, medidas que foram possibilitadas com a redução das taxas de transmissão da Covid-19, cerca de metade dos condutores de carros de aplicativos teria deixado de rodar, segundo a presidente do Sicovapp. “Antes da pandemia, eram em torno de 70 mil rodando na GRande BH; agora, com os preços da gasolina e do álcool do jeito que estão, esse número caiu cerca de 50%”, relata Simone Almeida. Ainda conforme ela, "os passageiros já percebem o aumento no valor das corridas", embora  a grande maioria não reclame.

Manifestação

O Sicovapp está programando uma manifestação para o dia 21 de setembro. Na pauta de reivindicações, estão o reajuste de tarifas para condutores por aplicativo; a redução do ICMS no Estado de Minas Gerais e a criação de um projeto de lei com isenção do IPVA extensivo aos motoristas por aplicativo, como já decretado no estado do Mato Grosso.

A concentração será no Mineirão, em frente ao clube CEU, a partir das 15h.

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