A Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) vai receber R$ 22,463 milhões para elaborar estudos sobre os danos causados pelo rompimento da barragem Mina Córrego do Fundão, em Brumadinho, na Grande BH. A tragédia, ocorrida em janeiro deste ano, deixou 248 mortos e 22 desaparecidos.

O recurso para que a instituição atue como perita em ações judiciais foi liberado pelo Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG), e faz parte do montante que foi bloqueado das contas da mineradora Vale, responsável pela estrutura que entrou em colapso.

Conforme o TJMG, os pesquisadores da universidade irão avaliar, por exemplo, a qualidade da água do Rio Paraopeba, que foi atingido pela lama de rejeitos.

Verba

O recurso foi liberado após audiência realizada na última terça-feira (20). Conforme a decisão judicial, o dinheiro será administrado pela Fundação de Desenvolvimento de Pesquisas (Fundep), entidade vinculada à UFMG. Os estudos a serem desenvolvidos subsidiarão futuras decisões judiciais.

Na ata da audiência, o juiz Elton Pupo Nogueira manifestou preocupação com a auditoria parcial no processo de avaliação da qualidade da água que é conduzido pela Vale. "Não há nenhuma entidade independente capaz de certificar a realidade dos dados obtidos, o que implica em falha de confiança nos dados coletados nas análises de água do Rio Paraopeba", registra a ata.

Outros R$ 3 milhões das contas da Vale foram liberados, em acordo com a mineradora, para uma campanha que a Companhia de Saneamento de Minas Gerais (Copasa) irá desenvolver em 22 municípios. O objetivo é informar as populações dessas cidades sobre a qualidade da água.

A mineradora Vale foi procurada pela reportagem para comentar sobre a decisão, mas ainda não se manifestou.

*Com Agência Brasil

Leia mais:
Justiça libera R$ 25 mi para UFMG e Copasa atuarem na reparação de rio contaminado por rejeitos
Rio Paraopeba, poluído por rejeitos da barragem em Brumadinho, começa a passar por limpeza
Audiência sobre tragédia de Brumadinho escutará três novas testemunhas nesta terça