Parece não ter fim a crise em que a Usiminas está mergulhada desde a queda do seu ex-presidente, Julián Eguren, em setembro de 2014. Ontem, o mercado entendeu como “mais lenha na fogueira” o cancelamento da publicação do balanço financeiro da companhia referente ao ano passado, mesmo após aprovação pelo Conselho Fiscal da empresa e pela auditoria externa contratada.

A siderúrgica não agendou nova data para publicação das contas e não explicou os motivos do cancelamento. O pagamento de dividendos também está indefinido. Os dois maiores acionistas, que estão em embate pelo controle da companhia – Ternium e Nippon – também não se manifestaram.

“A notícia é péssima. Se a diretoria (conselho fiscal) e a auditoria externa aprovaram é porque não há nada de errado no balanço. As coisas erradas parecem estar no Conselho de Administração”, disse o presidente do Instituto Mineiro de Mercado de Capitais (IMMC), Paulo Ângelo Carvalho de Souza.

Para ele, a “guerra interna” entre os sócios é o motivo do cancelamento, embora ainda não exista clareza sobre o que ocorreu. “As ações caíram pouco porque o mercado ainda não entendeu ao certo o que ocorreu. Mas está nítido que enquanto um sócio tenta prejudicar o outro, a Usiminas é que sai prejudicada”, disse.

As ações preferenciais da Usiminas, aquelas que dão prioridade no recebimento de dividendos, caíram 1,64% no pregão de ontem, e as ordinárias fecharam em queda de 2,73%. A aposta do mercado é a de que a companhia fechou 2014 com prejuízo e não deverá pagar dividendos. No último balanço divulgado pela empresa, referente ao terceiro trimestre do ano passado, a Usiminas apresentou prejuízo líquido de R$ 24 milhões. No acumulado de janeiro a setembro, porém, a companhia registrou lucro de R$ 326 milhões.

Tanto as vendas de aço como de minério de ferro pela Usiminas estavam, até o terceiro trimestre de 2014, em trajetória de queda. No caso do minério de ferro, a retração era de 15% em relação ao trimestre anterior. A comercialização do aço recuou 4% na mesma base de comparação.