Depois de atravessar um período nebuloso, a Usiminas começa a respirar aliviada. Como reflexo do bom momento, a companhia prevê abrir cerca de 1 mil vagas de empregos na retomada de dois projetos em Ipatinga, no Vale do Aço, e em Serra Azul, no Alto do Jequitinhonha. A empresa mira, ainda, o mercado externo.

Em Ipatinga, serão contratadas 520 pessoas no religamento do Alto Forno 1, o mais antigo da companhia. Dessas, 400 vagas serão temporárias. Os demais trabalhadores serão contratados para operar o monumental maquinário, após a conclusão das obras. A previsão é de que o religamento seja realizado em abril do ano que vem, após 11 meses de obras.

Outro projeto retomado recentemente é a produção em duas plantas da Mineração Usiminas (Musa), em Serra Azul. O objetivo é ampliar a extração mineral da empresa em 25% e destinar o produto ao mercado externo. Até o momento, foram reativadas a Mina Leste e a flotação.

Com as medidas, a companhia se prepara, aos poucos, para o reaquecimento da siderurgia no Brasil. O problema é que ela não deve se concretizar no curto prazo. Segundo pesquisa do Instituto Aço Brasil, 2013 foi o ano de melhor desempenho no consumo de aço pelo mercado interno. A previsão de atingir igual patamar, no entanto, não é para o curto prazo.

“Voltaremos a consumir o mesmo volume apenas em 2028”, destacou o presidente da Usiminas, Sérgio Leite, durante apresentação dos números da empresa aos parlamentares na Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG), ontem.

De acordo com o executivo, houve uma queda de 30% na venda de aço no mercado interno entre 2014 e 2016. “Para este ano, existe previsão de alta de 5%, mas ainda é pouco”, disse o executivo.

Além da recessão no mercado siderúrgico, a briga dos acionistas pelo controle da Usiminas reforçou o mau desempenho da companhia no passado. Desde 2014, a ítalo-argentina Ternium-Techint e a japonesa Nippon Steel travam uma verdadeira batalha pelo poder. Sérgio Leite, no entanto, desconversou sobre o assunto. “Tenho bom relacionamento com os dois lados”, disse. Ele foi indicado pela Ternium-Techint, destituindo, em março, Rômel Ergwen, que representava a Nippon na siderúrgica.

Dívida
Embora a dívida de quase R$ 7 bilhões da companhia ainda assuste, a Usiminas se prepara para fazer o primeiro abate dos débitos, previsto para 15 de dezembro. Inicialmente, o pagamento seria realizado em setembro do ano que vem. Cerca de US$ 90 milhões, algo próximo a R$ 360 milhões, serão pagos a credores.