O governador eleito Romeu Zema (Novo) admitiu que deverá herdar o pagamento do 13º salário dos servidores do Estado ao assumir o governo em 1º de janeiro, diante às dificuldades financeiras da atual gestão para honrar os pagamentos. Em visita à Serraria Souza Pinto na manhã deste sábado (10), como convidado do Campus Party, dos principais eventos de tecnologia realizados no país, Zema ainda responsabilizou o atual governador Fernando Pimentel (PT) pela bola de neve nas contas estaduais.

Nesta sexta-feira (9), após a primeira reunião entre o atual governo e a equipe de transição de Zema, o secretário de Governo de Minas Gerais, Odair Cunha, disse ter preocupação em realizar os pagamentos do 13º em dia. Obrigatoriamente, a segunda parcela do 13º salário deve ser paga até o dia 20 de dezembro. Apesar disso, segundo a Associação dos Municípios de Minas Gerais (AMM), dezenas de prefeituras não pagaram sequer a primeira parcela ainda — comumente quitada no meio do ano — o que pode complicar ainda mais o cumprimento dos prazos.

Para o governador eleito, haverá um aumento do rombo financeiro, que hoje soma R$ 11,4 bilhões apenas de déficit, além de R$ 9,4 milhões de repasses atrasados às prefeituras mineiras. “Temos ciência que muito provavelmente vai caber a nós arcar com o 13º. Isso vai ficar nos restos a pagar. Então, é mais um buraco que se abre e mais um desafio para nós”, disse o governador eleito.

Nesse contexto, Zema defendeu maior transparência na divulgação das contas do Estado e alfinetou Pimentel, acusando o atual governo de “esconder dados” sobre a situação financeira de Minas.  “Meu secretário da Fazenda vai disponibilizar esses dados continuamente. Para que todo mineiro, a sociedade e a ALMG tome conhecimento da gravidade da situação. Eu até vejo que a situação não foi corrigida porque se esconderam dados. É quando se esconde o que é ruim medidas corretivas não adiantam”, disse Zema, em crítica alusiva a Pimentel.

Corrupção

O governador eleito também comentou a prisão de políticos e empresários no Operação Capitu, incluindo o vice-governador de Minas, Antônio Andrade (MDB), acusado de receber R$ 15 milhões em propinas para beneficiar a JBS durante sua gestão como ministro da Agricultura, entre 2013 e 2014. “Infelizmente tivemos essa notícia triste ontem. Isso demonstra que práticas políticas antigas e inadequadas ainda ocorrem no Brasil e eu venho para tentar enterrar esse passado. Vejo que o povo votou contra esse tipo de prática”, criticou o governador eleito.