A mineradora Vale informou, nesta quarta-feira (26), que vai investir, até 2023, R$ 1,8 bilhão na área atingida pelo mar de lama que vazou da barragem Mina Córrego do Feijão, em Brumadinho, na Grande BH. A tragédia, que completou cinco meses, deixou 246 mortos e 24 desaparecidos. 

Conforme a empresa, além de reforçar a estrutura do que sobrou da barragem que ruiu, o montante também será usado para remover os rejeitos e recuperar a área ambiental da região, inclusive o trecho atingido do rio Paraopeba. Equipamentos públicos que foram destruídos pela avalanche de lama, como ruas e ferrovias, também serão reconstruídos.

A previsão é que de R$ 400 milhões a R$ 500 milhões sejam gastos ainda em 2019. A estimativa também é da geração de 2,5 mil empregos no pico das obras.

Retirada de rejeitos

O Plano de Contenção de Rejeitos apresentado pela empresa divide as obras em três trechos. Entre a barragem B1, na Mina Córrego do Feijão, e a confluência do Ferro-Carvão com o rio Paraopeba serão feitas intervenções para reduzir o carreamento de material para o rio Paraopeba.

"No Trecho 1 está concentrado o rejeito mais espesso. Estima-se que ali estejam depositados entre 6 milhões e 7 milhões de m³ do material que vazou da B1. O trabalho de remoção dos rejeitos é feito cuidadosamente e o planejamento dessa atividade é desenvolvido em conjunto com o Corpo de Bombeiros", explicou a Vale.

Cinco meses após a catástrofe, a mineradora conseguiu remover cerca de 550 mil metros cúbicos de material, que é vistoriado pelos bombeiros. O plano também prevê a construção de 15 pequenas estruturas de contenção com altura de até 5 metros e de uma barreira hidráulica filtrante, a BH0, que será erguida com cerca de 30 mil metros cúbicos de rocha e terá aproximadamente 100 metros de extensão. "Todas essas estruturas têm a função de reter os sedimentos mais grossos e, ao mesmo tempo, diminuir a velocidade da água que desce pelo ribeirão Ferro-Carvão", disse a mineradora.

Depois da BH0, está sendo erguido o Dique 2, com um reservatório de aproximadamente 750 milhões de litros. Neste local, o rejeito irá decantar e se acomodar no fundo do reservatório. O Dique 2 irá reter o material depositado ao longo do ribeirão Ferro-Carvão, reduzindo a turbidez da água.

Abaixo do Dique 2, conforme a Vale, será construída outra barreira hidráulica filtrante, a BH1, que também servirá para reter sedimentos grossos.

Tratamento de água

De acordo com o plano da Vale, após passar pelas estruturas de contenção, a água do ribeirão Ferro-Carvão será retida em um reservatório, formado por uma cortina de estacas-prancha (constituído de placas metálicas). Deste reservatório, a água vai ser bombeada para a Estação de Tratamento de Água Fluvial (ETAF), que já está em operação. Depois de ser tratada, a água será devolvida para o rio Paraopeba.

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