Não é de hoje que a Valve, gigante do varejo online de games, quer emplacar seu próprio console. A mais nova aposta é o Steam Deck. Trata-se de um console híbrido, como o Nintendo Switch, mas que roda os games de computador que são oferecidos na plataforma Steam.

Com tela de sete polegadas, sensível ao toque, processador AMD Zen 2 e armazenamento eMMC com versões de 64GB, 256GB e 512GB, assim como bateria para oito horas, ele promete alta performance para jogar no banco do carona ou conectado a um televisor, com no similar japonês.

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A VAPOR – Apresentado pela Valve, o Steam Deck chega no final do ano e promete alto desempenho para rodar games de PC, mas os preços variam de US$ 400 a US$ 660 assusta

Segundo a Valve, o lançamento comercial está marcado para dezembro e o aparelho pode ser a consolidação de seu projeto de mercado. 

Tentativa

Não é a primeira vez que a dona da Steam tenta emplacar o próprio aparelho. Em 2015 lançou o Steam Machine, uma espécie de Xbox que rodava games para PC e utilizava sistema operacional próprio: SteamOS. Na prática era um computador de alta performance, mas com aspecto de estação de entretenimento, como tem sido com os consoles desde que passaram a rodar DVD. 

Mas a empreitada não deu muito certo e em 2018 o Steam Machine foi descontinuado com menos de 500 mil unidades vendidas, pois era caro, além de ser mais vantajoso comprar um computador para jogar e executar outras tarefas. Mas com o Steam Deck a Valve quer percorrer o mesmo caminho que a Nintendo descobriu há 40 anos com o Game&Watch.

A Big N consegue ter seu espaço no mercado de jogos devido à mobilidade. O Game&Watch (que aqui era popular com minigame) foi o estopim para o Game Boy e seus sucessores até chegar no híbrido Switch, que pode ser um videogame portátil e de mesa ao mesmo tempo. Seria impossível crescer um jardim apenas da simpatia de Mario, Zelda e Picachu, num mundo onde Sony e Microsoft fazem sombra o dia todo.

O Steam Machine morreu pois não conseguiu concorrer com os dois gigantes. Assim, vai apostar no mesmo caminho que a Nintendo e com a vantagem de ter uma biblioteca gigantesca, com inúmeras opções gratuitas ou com valores ínfimos. Uma vantagem interessante diante dos preços nada modestos que a Nintendo cobra por seus games.

O problema é que o Steam Deck é caro. A versão de 64GB parte de US$ 399 (R$ 2,1 mil), enquanto as versões de 256GB e 512GB saltam para US$ 529 (R$ 2,7 mil) e US$ 659 (R$ 3,4 mil). Nos Estados Unidos, o PS5 parte dos US$ 400 e um Xbox Series X custa US$ 500. E para piorar, os dois consoles oferecem mais volume de armazenamento: 825GB no Sony e 1TB no Microsoft. 

E se o argumento for a mobilidade, o Nintendo Switch parte de US$ 200 (R$ 1.050), na versão Lite (apenas portátil) e US$ 300 (R$ 1.570) na versão híbrida, com dock para conexão com televisor e joysticks destacáveis.
Tudo isso coloca mais uma vez a Valve numa sinuca de bico. O Steam Machine não vingou pois custava o mesmo que um Xbox One e PS4. Agora o Steam Deck chega mais caro que Switch e versões que vão além de PS5 e Xbox Series X. Apesar do poder de compra maior que o nosso, o norte-americano não aceita disparidades de preço com tanta passividade como a gente. 

Por aqui é muito difícil que a Valve faça uma distribuição oficial. Mas a julgar pelo valores médios de PS5 e Xbox Series X, na casa dos R$ 7 mil), não seria surpresa ver o portátil beirar os R$ 10 mil, via importação independente. 

Será que agora vai, ou vai virar vapor mais uma vez?

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