A Black Friday deste ano acontecerá em 24 de novembro – última sexta-feira do mês –, mas alguns varejistas já falam em mudar a data, a partir de 2018, para setembro. E a principal justificativa é a de que a promoção, no penúltimo mês do ano, canibaliza as vendas do Natal.

O presidente da Associação Brasileira do Comércio Eletrônico (Abcomm), Maurício Salvador, concorda que a ação influencia as vendas natalinas, mas diz que cabe ao comerciante procurar estratégias para sair ganhando nas duas datas, que já se consolidaram no mercado eletrônico como as mais importantes.

“Na última Black Friday, cerca de 30% dos consumidores anteciparam as compras do Natal. Isso preocupa os varejistas, mas eles têm que usar a data justamente para escoar produtos que estão encalhados para limpar os estoques. Se vender itens da chamada curva A, aqueles que têm mais saída, vai canibalizar mesmo”, explica Salvador.

Para a economista da Câmara dos Dirigentes Lojistas, Ana Paula Bastos, os pequenos comerciantes são os que mais sofrem impacto com essa sobreposição de datas, embora a Black Friday tenha um volume de vendas mais significativo para produtos de maior valor agregado.

Presentes

“De modo geral, os consumidores antecipam a compra de itens mais caros e deixam para o Natal os presentes de menor valor”, afirma. Outra razão para a mudança de dia está no fato de que a Black Friday poderia alavancar as vendas em um período sem nenhuma data comemorativa próxima relevante.

Por meio de nota, o Instituto para Desenvolvimento do Varejo se posicionou contra a mudança e disse que apoia a manutenção da Black Friday em novembro por ser uma data internacional. O reforço na mídia devido a ação norte-americana, que foi importada para o Brasil, conta pontos a favor da manutenção em novembro.

Além disso, especialistas apontam como vantagem o fato de que, até lá, muitos brasileiros já receberam a primeira parcela do 13º salário. “A mudança de dia pode gerar um desconforto para o consumidor, que por muito tempo questionou a credibilidade da promoção. Há um risco também de muitas lojas não aderirem a uma nova Black Friday e termos dois eventos do tipo no mesmo ano”, diz o fundador do site Black Friday de Verdade e sócio da Proxy Media, Francisco Cantão.

Faturamento

Segundo pesquisa divulgado pelo Google, 68% dos brasileiros pretendem comprar algo na Black Friday deste ano. As vendas pela internet devem somar R$ 2,2 bilhões.

O bancário Leonardo Yagelovic aguarda a data com ansiedade para adquirir uma televisão. “Há dois anos comprei uma TV pela metade do preço e, no ano passado, foram dois celulares com 20% de desconto”, conta.
Yagelovic explica que vai monitorando os preços para saber se o desconto oferecido é real.

Os especialistas garantem que os comerciantes já entenderam que os consumidores estão mais atentos para promoções falsas, apelidadas de “Black Fraude”. “Hoje, a pessoa pode ver os preços em sites comparativos antes de finalizar a compra. Ela também pode ver a reputação da loja nas redes sociais”, diz Maurício Salvador, da Abcomm.