A Agência Nacional de Águas (ANA) vai liberar a redução da vazão do Rio São Francisco, dos atuais 1.100 metros cúbicos por segundo, para 1.000 metros cúbicos por segundo. A resolução que vai autorizar o corte de 10% no volume da água, apurou a reportagem, deve ser publicada até a próxima semana. A medida tem o propósito de garantir o abastecimento de água e de energia ao longo do São Francisco no período seco, que começa no fim de abril. O controle da água será feito a partir da barragem de Sobradinho, na Bahia, que é o maior reservatório do País, se considerada a área alagada.

O pedido de redução de vazão foi feito pela Chesf, estatal da Eletrobras que controla a usina de Sobradinho e demais hidrelétricas instaladas no curso do São Francisco, como o complexo Paulo Afonso e a usina Xingó, que estão entre os grandes geradores do setor elétrico nacional.

A redução passou pela análise técnica do Ibama, que publicou na segunda-feira (16) uma autorização favorável à redução, apesar de sinalizar que a medida amplia os problemas já verificados em diversas regiões do rio. A autorização dada pelo Ibama tem validade de 180 dias, podendo ser prorrogada. A ANA dependia dessa aval para publicar a resolução que reduzirá o volume de vazão do São Francisco. A vazão de 1.000 m?/s, adotada em "caráter emergencial", será aplicada durante a meia-noite e as 7 horas da manhã, entre a segunda-feira e o sábado, e durante todo o dia de domingo. Tecnicamente, o São Francisco já tem operado abaixo de seu limite normal, que é de 1.300 m?/s.

Responsável por 96% do abastecimento de energia da Região Nordeste, o São Francisco ainda sofre com a seca, apesar de o País estar em pleno período chuvoso. O cenário atual do volume de água armazenado em Sobradinho, por exemplo, encontra-se ainda pior do que em novembro do ano passado, no auge da seca. Segundo dados do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), Sobradinho tem hoje 17,% de sua capacidade total de guardar água. No início de novembro de 2014, esse volume chegava a 20%.